Bebiana Rocha
Imagem: SwitcheDye
A SwitcheDye, spin-off britânica da Universidade de Leeds dedicada ao desenvolvimento de uma nova geração de corantes, garantiu no passado mês de maio um investimento e um parceiro industrial estratégico para escalar a sua tecnologia de tingimento de fibras sintéticas de forma mais sustentável. A empresa John Hogg Technical Solutions junta-se agora à equipa de investigação liderada por Nathaniel Crompton.
A SwitcheDye necessitava de angariar cerca de meio milhão de libras esterlinas para assegurar um período de aproximadamente 18 meses de operações sólidas. A fase de implementação da tecnologia teve início em outubro de 2025, sendo estes 18 meses considerados fundamentais para a validação industrial do processo, com vista à sua preparação para entrada no mercado.
Atualmente, a startup encontra-se a realizar ensaios no Reino Unido e na Turquia, com conclusão prevista para janeiro de 2027. A partir desse momento, estão previstos novos testes de escala noutras regiões-chave da indústria têxtil e do vestuário. “Estamos atualmente a realizar testes em máquinas de 25 e 50 kg; o próximo aumento de escala será para 400 kg”, afirmou o fundador em declarações ao World Textile Information Network.
O objetivo da SwitcheDye é, dentro de uma década, substituir uma parte significativa do mercado de tingimento por dispersão. A sua solução revela-se particularmente relevante num contexto em que a maioria do poliéster e dos têxteis sintéticos é tingida através deste processo, que depende de grandes quantidades de químicos auxiliares para facilitar a fixação da cor no tecido. Em alguns casos, por cada parte de corante podem ser necessárias até nove partes de auxiliares.
Tendo em conta que o poliéster representa cerca de 60% da produção mundial de têxteis, este modelo de produção exerce uma pressão significativa sobre os sistemas de tratamento de águas residuais, considera.
A tecnologia da SwitcheDye elimina a necessidade destes químicos adicionais, uma vez que os corantes são concebidos para interagir com CO₂, permitindo que o corante passe da água para o tecido quando aquecido. O processo não exige equipamento adicional, apenas a introdução de CO₂ na fase de preparação.
Esta abordagem permite reduzir até 90% dos químicos utilizados no tingimento, mantendo simultaneamente a vivacidade das cores e o desempenho do produto final. Substitui ainda o passo de “clearance” redutivo por um processo de “clearance” ácido seguro, alcançando os mesmos resultados sem a introdução de subprodutos nocivos.