Ana Rodrigues
Mais de 60% das empresas não estão preparadas para atingir os seus objetivos de sustentabilidade. Mais ainda, 75% dos líderes empresariais acreditam que não têm integrado bem a sustentabilidade nos seus negócios, e 63% acreditam que a empresa precisa de novas competências para cumprir os objetivos ESG.
Estas são algumas das conclusões do relatório CEO Sustainability Guide da Bain & Company, ao qual se junta o facto de quase todos os CEOs terem relatado ter um problema com o talento, 44% dos entrevistados disseram que é mais fácil encontrar uma oportunidade fora da empresa do que dentro dela.
Ainda quanto aos executivos, estes sabem que têm um papel fundamental a desempenhar na transição energética e de recursos, mas estão preocupados com o fosso crescente entre os seus progressos e os compromissos públicos. Assim, segundo os dados, os CEOs devem priorizar a política, a tecnologia e as mudanças no comportamento do consumidor.
O relatório, que inclui também um inquérito a 23 mil consumidores, revela que cerca de 64% das pessoas têm uma forte preocupação com a sustentabilidade, facto que se intensificou nos últimos dois anos. Nesse sentido, 72% dos consumidores da Geração Z e 68% dos baby boomers em todo o mundo estão muito ou extremamente preocupados com o ambiente.
Mais ainda, os consumidores procuram produtos sustentáveis e estão dispostos a pagar mais por eles. Os consumidores da Índia, Indonésia, Brasil e China estão dispostos a pagar mais 15% a 20% por produtos sustentáveis. Por sua vez, os consumidores americanos pagariam mais 11%, enquanto os consumidores do Reino Unido, Itália, Alemanha e França, só estão dispostos a pagar entre mais 8 a 10%.
Foi, igualmente, divulgada uma desconexão entre o que os consumidores desejam e o que é vendido: 48% dos consumidores estão preocupados com a forma como um produto pode ser reutilizado, a sua durabilidade e como minimizar os resíduos gerados. Porém, a maioria das empresas baseia a sustentabilidade dos seus produtos em fatores como o fabrico, os ingredientes e as práticas agrícolas adotadas e, por causa disto, quase metade dos consumidores nos mercados desenvolvidos acredita que viver de forma sustentável é demasiado caro (há confusão entre “sustentável” e “premium”).
Os consumidores têm dificuldade em identificar produtos sustentáveis e não confiam nas empresas. Para 50% dos consumidores, a sustentabilidade é um dos quatro critérios de compra mais importantes. No entanto, muitos não conseguem identificar os produtos menos poluentes ou compreender o significado dos logótipos de sustentabilidade mais comuns, como os de produção biológica ou comércio justo. A falta de confiança é outro ponto importante, já que apenas 28% dos consumidores acreditam que os produtos desenvolvidos pelas grandes empresas são verdadeiramente sustentáveis.