Bebiana Rocha
‘Weird it out’ é a mais recente coleção de Susana Bettencourt, um lançamento que reafirma o compromisso da designer com a sustentabilidade, ao mesmo tempo que explora as potencialidades da Inteligência Artificial. “Quando fiz a coleção SS24 a minha ideia era abrandar, estou a fazer um doutoramento na Universidade do Minho e senti que a correria do dia a dia não me estava a deixar andar, queria fazer projetos que fizessem sentido para a investigação”, enquadra.
Os preparativos para este lançamento começaram em janeiro: “Como as minhas produções são limitadas e pequenas tinha dificuldade em ter uma fábrica que me fizesse amostras e meses depois a produção. Então comecei a fazer em componentes, criei um sistema modelar para as peças e com esse sistema foram sobrando materiais – golas, bocados de painéis -, guardei, e usei-os para esta coleção, para mostrar que temos sustentabilidade dentro de portas”, continua em entrevista ao T Jornal.
“Começamos por fazer a escolha dos materiais e divisão por cores, depois passamos para a manipulação de superfícies com técnicas de corte e cose e junção de matérias-primas”, separa. Este processo acabou por resultar numa coleção em que todas as peças são únicas e produzidas em atelier.
Parte da sustentabilidade fundamentada, Susana Bettencourt conta ao T Jornal onde usou a Inteligência Artificial. “Uma das coisas que mais me assustava no meio deste processo de reaproveitamento era sentir que as peças não eram identificáveis, então comecei a perguntar à Inteligência Artificial o que era a Susana Bettencourt se trabalhasse restos. Acabei por ganhar alguma segurança com as respostas e percebi com este trabalho que a IA não tem espírito crítico. A pessoa tem de ter conhecimento, tem de saber o que está a perguntar e conseguir discernir o que é válido”, chama à atenção.
A Inteligência Artificial serviu assim, não como um motor de criação de algo novo, porque não tem criatividade, mas como uma ferramenta que funde dados. O resultado foi apresentado pela primeira vez este sábado, dia 9 de novembro, no Portugal Fashion Sessions, que decorreu na BM Car dos Aliados, no Porto.
“Weird it out passa a mensagem de: aceita ser estranho, aceita trabalhar fora da tua zona de conforto, esquece o sistema. Quis muito descobrir o que sou, quero muito descobrir outra forma de trabalhar”, conclui, deixando nota que é importante comprar menos e isso consegue-se com um processo colaborativo entre a marca e o cliente de forma a criar uma ligação emocional com as peças. “As pessoas podem vir à loja e dizer: «gostei muito deste jacquard, tens em stock? Será que podemos inventar um vestido com este material?», existe liberdade”, sublinhou.