Bebiana Rocha
“Soberania tecnológica” e “dual use” foram as expressões mais repetidas no Impulse 2026, evento organizado pela Fibrenamics, ontem no Fórum Braga. Sob o mote “Interpretar tendências e ativar oportunidades”, Raúl Fangueiro, presidente da Fibrenamics, destacou as novas oportunidades no setor da defesa, partindo do conceito de inovação colaborativa e de uma abordagem de dupla perspetiva.
Raúl Fangueiro contextualizou esta visão no quadro da crescente convergência entre ciência, universidades e indústria. “A geopolítica está a levar a uma necessidade de autonomia estratégica, o que acaba por alterar a forma como inovamos”, afirmou. “Durante décadas, a defesa funcionou como um setor fechado. Atualmente, essa lógica mudou: tecnologias estratégicas como sensores, drones ou comunicações nascem hoje do ecossistema civil de inovação. A defesa deixou de ser o produtor exclusivo de inovação estratégica. O dual use é central. Há um novo paradigma de inovação”, acrescentou.
Na qualidade de pró-reitor para a Inovação, Empreendedorismo e Transferência de Conhecimento da Universidade do Minho, sublinhou ainda que “as universidades têm um papel essencial na criação de valor económico e societal”, abordando o impacto da instituição no ecossistema de inovação, com especial enfoque nas pessoas e na propriedade intelectual.
“As universidades são o espaço ideal para a criação de startups”, afirmou, descrevendo-as como estruturas ágeis e profundamente conectadas com o sistema empresarial, e citando a Fibrenamics como um interface de referência no domínio dos materiais avançados aplicados à área da defesa.
Lembrou ainda que a universidade participa em múltiplos projetos de investigação e desenvolvimento com aplicações altamente exigentes, referindo a recente criação de um hub que materializa esta visão triangular entre universidades, ciência e indústria. “Só com união conseguiremos posicionar Portugal como um ator relevante no contexto internacional”, sublinhou, evidenciando as interdependências existentes.
“Sem capacidade industrial também não existe soberania. É preciso transformar conhecimento em produto”, reforçou.
Raúl Fangueiro mobilizou, no seu discurso de abertura, as empresas e PME tecnológicas a colaborarem com a Universidade do Minho. Lembrou que Portugal já lidera áreas estratégicas de elevado nível tecnológico e que o futuro da defesa depende cada vez mais da capacidade de cooperação.
“Mais do que discutir tecnologia, pretende-se discutir ecossistema”, enquadrou, sintetizando o propósito do Impulse. Concluiu destacando o desafio central de transformar conhecimento em impacto, princípio que está na génese da Fibrenamics.