09 março 26
Empresas

Bebiana Rocha

SKYPRO e Woolmark inovam nos uniformes da aviação com lã

A SKYPRO e a The Woolmark Company iniciaram contactos no final de 2023 e, desde então, têm vindo a desenvolver dois projetos inovadores, juntamente com parceiros industriais nacionais, no segmento de Corporate Wear, que colocam a lã – e o Made in Portugal – no centro das atenções internacionais das principais companhias de aviação.

No primeiro projeto, que juntou a SKYPRO, a Woolmark e a Paulo de Oliveira, as experiências foram realizadas na área de jerseys da empresa da Covilhã e deram origem a um coordenado composto por calça e casaco, bem como a um vestido. O conceito foi apresentado na Aircraft Interiors Expo, em Hamburgo, em abril do ano passado, onde recebeu uma boa aceitação por parte dos visitantes.

Durante os testes foram, contudo, identificadas algumas condicionantes, nomeadamente, ao nível da resistência às lavagens e do encolhimento. Aspetos, esses, que estão atualmente a ser trabalhados com vista a fazer chegar ao mercado uma solução final melhorada.

A principal inovação deste projeto é permitir a lavagem doméstica das peças, algo pouco comum neste tipo de uniformes.

“Esta é uma parceria para fortalecer. Há no segmento dos uniformes profissionais um crescente  uso da lã nos uniformes corporativos, pelas suas características de termorregulação, maior conforto e maior durabilidade das peças, o que está alinhado com os requisitos de sustentabilidade”, afirma Ricardo Silva, Board & Chief Sustainability Officer da SKYPRO, em entrevista ao T Jornal.

“Um uniforme de poliviscose dura em média entre 12 a 15 meses, enquanto um uniforme de lã pode atingir uma durabilidade de até 24 meses. As grandes companhias aéreas estão a converter-se não só pela sustentabilidade ambiental, mas também económica”, acrescenta.

Como acima referido, o conforto é um fator decisivo e que tem impulsionado a procura de Corporate Wear em lã , explica Ricardo Silva, afirmando que “em ambientes fechados, como é o caso dos aviões, a poliviscose apresenta-se muito quente, o que gera grande desconforto ”.

A Woolmark destaca outras propriedades da fibra, explicando que “as características termorreguladoras e antiodor da lã são igualmente importantes para o conforto do utilizador”.

De acordo com a SKYPRO, aproximadamente dois terços dos produtos são desenvolvidos com uma composição que integra entre 40% e 45% de lã, entre 2% e 3% de elastano para garantir mobilidade às hospedeiras de bordo e o restante em poliéster, que reforça a resistência às lavagens e a solidez da cor.

Conscientes do potencial da lã, os parceiros avançaram também com um segundo projeto, desta vez com foco na circularidade. A iniciativa resultou de um trabalho em parceria com a Fitecom, empresa certificada pela Woolmark.

A SKYPRO é uma das entidades do consórcio Projeto Bioshoes4All, um projeto com o apoio do PRR e liderado pelo Centro Tecnológico do Calçado de Portugal, no qual uma das atividades da SKYPRO visa o desenvolvimento de novos materiais de base lã, incorporando fibras provenientes da reciclagem de uniformes pós-consumo em final de vida, para a sua incorporação em calçado, marroquinaria e acessórios.

“É uma forma de aproveitarmos as sinergias e a verticalidade do setor têxtil e vestuário em Portugal, que o torna único”, reforça a Woolmark.

Este projeto está integrado numa oferta de serviços circulares de gestão dos uniformes, na qual a SKYPRO assegura a retoma das peças junto dos clientes quando estas atingem o final de vida, faz a avaliação do seu estado e, não existindo viabilidade para reuso ou reparação, são reencaminhadas para reciclagem. As peças são desmanchadas, retiram-se botões e outros componentes e avalia-se o potencial de reaproveitamento. “No caso das calças conseguimos reutilizar cerca de 90% do material; nos blazers a percentagem é menor, cerca de 30%”.

Após o desmanche, o material segue para a J. Gomes, responsável pela esfarrapagem e produção de fibras. A Fitecom desenvolve depois a nova estrutura de lã, composta por cerca de 50% de fibras de lã recicladas e 50% de fibras virgens. “A Fitecom é o parceiro industrial, sendo que a SKYPRO faz a articulação com os vários parceiros e clientes”, esclarece Ricardo Silva.

Os resultados deste projeto, já numa fase de conclusão, serão apresentados em abril na Aircraft Interiors Expo, em Hamburgo, nomeadamente produtos como calçado, chinelos, malas e outros acessórios.

Especializada em uniformes corporativos, a SKYPRO trabalha com companhias aéreas, mas está em expansão para outros sectores como a ferrovia, transportes públicos, hotelarias, operando com um modelo sem produção interna. A empresa entrega soluções “chave na mão”, apoiando-se numa rede de fornecedores – na sua maioria nacionais – e reunindo internamente competências de design, desenvolvimento de protótipos, ensaios de validação, procurement e logística. A marca disponibiliza ainda uma plataforma digital de gestão de uniformes que permite aos clientes gestão de stocks e inventários e previsão de necessidades futuras.

Atualmente, a SKYPRO trabalha com mais de 50 companhias aéreas em todo o mundo e a sua visão é ser a empresa mais competente na gestão de uniformes corporativos, líder  em inovação e sustentabilidade. Este posicionamento é reforçado pela aposta na circularidade e na integração de novas soluções materiais, como são exemplo estes dois projetos em torno da lã.

“A SKYPRO é pioneira no país e seguramente na Europa a implementar soluções de circularidade aos seus uniformes. Fomos também a primeira PME nacional a publicar o Report de ESG voluntário, segundo as métricas da Diretiva Comunitária, ainda antes do tema ganhar notoriedade”, afirma Ricardo Silva, sublinhando o caráter pioneiro da empresa na integração da circularidade nos uniformes corporativos.

Para a Woolmark, a parceria reforça o posicionamento da lã neste mercado específico. “A lã já está bem implementada no Corporate Wear, mas queremos reforçar essa presença. A SKYPRO é líder nesta área, sobretudo na aviação, e é o parceiro perfeito para destacarmos a lã neste segmento e aumentarmos a sua notoriedade”, conclui.

A colaboração ganhou também nova visibilidade internacional quando a SKYPRO foi incluída como estudo de caso no mais recente Toolkit da Woolmark, dando destaque a uma empresa portuguesa e ao know-how do Made in Portugal.

Segundo Ricardo Silva, esta parceria com a Woolmark e com os restantes parceiros industriais tem permitido desenvolver soluções de vanguarda e posicionar a empresa como pioneira. É importante a continuidade do trabalho realizado pela conversão destes desenvolvimentos em soluções comercialmente disponíveis ao mercado, estabelecendo novas parcerias e projetos, os quais já decorrem em paralelo. Um bom exemplo é o novo projeto com a conhecida marca portuguesa Sanjo, em que se combinam o enorme know-how e reconhecimento da marca no calçado casual e desportivo, com os novos materiais de lã reciclada, que se encontram atualmente nos últimos testes de validação de novos modelos, cujo lançamento se prevê para este primeiro semestre de 2026.

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