Bebiana Rocha
A SIC passou este fim de semana uma reportagem dedicada aos têxteis sustentáveis, dando voz às empresas Riopele e Allcost para abordar as principais dificuldades associadas à reciclagem têxtil. Ângela Teles, gestora de produto sustentável da Riopele, destacou a multiplicidade de materiais como uma das maiores barreiras ao avanço da reciclagem, sobretudo do ponto de vista tecnológico. Já João Ribeiro, responsável pelo laboratório de ensaios da Allcost, explicou que, após a trituração, a fibra perde parte das suas características originais, o que dificulta o processo produtivo, em especial nas fases de fiação e tecelagem.
A reportagem avançou depois para exemplos concretos dos esforços que o setor tem vindo a desenvolver no sentido de se tornar mais circular, apresentando projetos distintos levados a cabo por cada uma das empresas.
No caso da Allcost, foi destacado um projeto de investigação e desenvolvimento focado na valorização de desperdícios de corte, que deram origem a um fio 100% reciclado. Este fio incorpora ainda resina de camarão, num trabalho de investigação conduzido pela empresa com o objetivo de explorar novas soluções técnicas e funcionais a partir de resíduos.
Já na Riopele, a reportagem centrou-se na marca Tenowa, que reflete a estratégia de mercado da empresa no domínio dos têxteis sustentáveis. A marca Tenowa tem vindo a ganhar peso na faturação da Riopele, representando já cerca de 5%. Ângela Teles sublinhou a evolução significativa dos produtos ao longo do tempo: se numa fase inicial estes resultavam em tecidos mais grossos e de aspeto rústico, hoje apresentam um toque distinto e permitem o desenvolvimento de peças mais delicadas, alinhadas com as exigências do mercado.
A SIC esteve tanto nas instalações da Allcost, onde filmou o showroom e enquadrou o trabalho laboratorial e experimental da empresa, como na Riopele, captando várias etapas do seu processo produtivo industrial. A reportagem abordou ainda a temática das fibras alternativas, com destaque para as fibras de origem regenerada, como o liocel.
Na reta final, a Riopele alertou para a questão da concorrência desleal. “Acabamos por importar produtos que não cumprem as mesmas regras. Avançarmos com o Passaporte Digital de Produto podia ser uma ferramenta de comparação entre os produtos que importamos e aqueles que produzimos”, afirmou Isabel Domingues, diretora de sustentabilidade.
Num contexto em que a inovação e a consciência ambiental ganham cada vez mais espaço no mercado, a Riopele está já a trilhar um caminho de posicionamento na vanguarda do aproveitamento de resíduos agroalimentares, integrando estas soluções na sua estratégia industrial e comercial.
Um dos exemplos referidos foi o soro de leite, que pode ser utilizado para o controlo de odores — um teste atualmente em desenvolvimento pela empresa e que poderá reforçar a sua afirmação no segmento dos têxteis técnicos.
A encerrar, Ângela Teles salientou que este é um trabalho progressivo, essencial para garantir a sustentabilidade não só do ponto de vista ambiental e social, mas também económico, assegurando a viabilidade da própria empresa.