Bebiana Rocha
A SGS reuniu ontem representantes do sector têxtil e vestuário nacional num evento dedicado aos desafios da conformidade legal, segurança química e certificação, num contexto de crescente exigência regulatória nos mercados internacionais, com os PFAS a assumirem-se como um dos temas centrais da discussão.
Na abertura da sessão, Adriana Moura, responsável pelo departamento de bens de consumo da SGS Portugal, destacou os 145 anos de experiência da empresa no apoio às indústrias num mercado cada vez mais exigente em matéria de testes, inspeção e certificação. Sublinhou ainda a presença consolidada da SGS em Portugal, que conta atualmente com sete escritórios e oito laboratórios.
Os trabalhos arrancaram com a intervenção de Veli Kiraz, global customers sales manager da SGS Turquia, que centrou a sua apresentação na conformidade legal e, em particular, no impacto crescente das restrições associadas aos PFAS — conhecidos como “forever chemicals” — substâncias químicas persistentes que estão sob forte escrutínio regulatório a nível global.
Para enquadrar a dimensão do problema, o responsável citou um estudo referido pelo The Guardian, em fevereiro de 2024, segundo o qual pelo menos 60% da população dos Estados Unidos poderá estar exposta a estes compostos através da água da torneira. Perante este cenário, alertou que marcas e consumidores exigem cada vez mais produtos seguros, rastreáveis e alinhados com a legislação em vigor.
Sendo Portugal um importante exportador, Veli Kiraz chamou a atenção para a necessidade de as empresas acompanharem as diferentes exigências regulatórias impostas nos mercados internacionais. França, Canadá e Reino Unido já contam com regras próprias em matéria de PFAS, enquanto Estados Unidos, China, Austrália, Japão e Vietname aplicam igualmente enquadramentos distintos dos vigentes na Europa.
A evolução das restrições foi apontada como um dos temas mais críticos para a indústria. O processo regulatório europeu arrancou em março de 2023 e tem vindo a avançar de forma progressiva. Segundo Veli Kiraz, 2026 deverá marcar a entrega das opiniões finais do RAC e do SEAC à Comissão Europeia, enquanto entre 2026 e 2027 as restrições poderão tornar-se efetivas.
A Dinamarca foi destacada como um dos exemplos mais expressivos desta tendência, ao anunciar o banimento dos PFAS a partir de julho deste ano, reforçando o endurecimento regulatório em geografias estratégicas.
“O mercado precisa de provas claras de que os artigos são PFAS Free”, afirmou, apresentando exemplos identificados no Safety Gate de produtos que não cumprem os requisitos de segurança e conformidade.
Como resposta, o responsável recomendou que empresas e marcas apostem em ferramentas de prevenção e monitorização, como testes específicos — entre eles o SGS 671 PFAS — e em alternativas reconhecidas, como materiais ou processos certificados por entidades como a Bluesign, de forma a reduzir riscos e garantir conformidade.
Em paralelo, Veli Kiraz abordou a conformidade legal num sentido mais lato, sublinhando que a União Europeia atravessa uma fase de transformação regulatória que pode representar uma oportunidade para Portugal reforçar a sua reputação internacional. “Os produtos portugueses são muito bons em questões de qualidade e cumprimento de normas de segurança”, afirmou.
Esta visão foi reforçada por Adriana Moura, que na abertura destacou a capacidade da SGS para apoiar as empresas num mercado cada vez mais exigente ao nível de testes, inspeção e certificação.
Mais recentemente, a SGS lançou ainda o SGS Green Mark, um selo que pretende reforçar a confiança do consumidor, identificando produtos considerados seguros e alinhados com critérios de sustentabilidade e conformidade.