31 agosto 26
Eventos

Bebiana Rocha

Santo Tirso coloca a circularidade dos têxteis no centro da discussão europeia

Como prevenir, recolher, separar e voltar a dar valor aos resíduos têxteis? É em torno desta questão que representantes de municípios, empresas, entidades gestoras de resíduos, centros de investigação e organizações da sociedade civil se reúnem, nos dias 24 e 25 de setembro, na Fábrica de Santo Thyrso, para o Seminário Internacional sobre a Gestão Circular de Resíduos Têxteis, integrado na reunião internacional do projeto europeu TEXAD – Advanced Circular Textile Waste Solutions for European Municipalities.

Durante dois dias, Santo Tirso será palco de uma reflexão que pretende ir além do diagnóstico do problema, colocando em contacto diferentes atores e experiências para discutir soluções concretas para um dos desafios ambientais e industriais que mais se coloca ao setor: garantir que os resíduos têxteis são corretamente recolhidos, preparados e valorizados, podendo regressar ao ciclo produtivo.

A escolha da Fábrica de Santo Thyrso acrescenta uma dimensão simbólica ao encontro. Antiga unidade têxtil de referência, o espaço é hoje um centro de inovação, empreendedorismo e incubação de empresas, representando a capacidade de um território com forte tradição industrial para se reinventar e responder aos desafios do futuro. É precisamente essa transformação que o TEXAD procura estimular: passar de uma lógica linear de produção e descarte para modelos capazes de manter os materiais em circulação.

Os trabalhos começam na quinta-feira, 24 de setembro, com a sessão de abertura, às 9h30, pelo Presidente da Câmara Municipal de Santo Tirso, pela Agência Portuguesa do Ambiente e pelo país líder do TEXAD.

A partir das 10h30, a discussão parte “Do problema ao sistema”, com um enquadramento estratégico sobre o atual fluxo de resíduos têxteis e o papel dos diferentes intervenientes na construção de uma cadeia mais circular.

O Observatório do Resíduo Têxtil e a ATP – Associação Têxtil e Vestuário de Portugal apresentarão um retrato do estado atual do fluxo têxtil no território, enquanto o Invest Santo Tirso abordará o papel das autoridades locais na economia têxtil circular e na gestão dos resíduos.

A reflexão passará depois da análise à experimentação, com um workshop de upcycling, às 11h15, conduzido pela artista Alexandra Arnóbio e envolvendo participantes e países parceiros do projeto. A manhã termina com uma visita guiada ao Centro de Interpretação da Fábrica de Santo Thyrso, com Nuno Olaio.

A tarde será dedicada a conhecer soluções já em aplicação no terreno. Os parceiros internacionais visitarão o sistema de recolha de têxteis usados, a unidade piloto de triagem de têxteis da Lipor, a unidade de reciclagem têxtil e fiação integrada da Recutex/Fiavit e a tecelagem da LMA, onde são utilizados materiais reciclados. O percurso permitirá acompanhar diferentes etapas do circuito dos resíduos, da recolha à sua preparação e reintegração em novas aplicações.

Na sexta-feira, 25 de setembro, o conhecimento produzido e as experiências portuguesas ganham novamente protagonismo, com a apresentação de boas práticas aos parceiros do projeto.

Entre os exemplos estarão o projeto de Gestão Têxtil Circular da APED, apresentado por Gonçalo Lobo Xavier, os projetos de formação e reskilling para o setor têxtil do MODATEX, por Pedro Guimarães, e o projeto-piloto de recolha porta-a-porta de têxteis usados do Município da Maia, integrado na RETEX – Textile Circularity Platform, apresentado por Pedro Ferreira.

O programa entra depois numa dimensão mais interativa, com uma atividade, a partir das 10h45, dedicada a aprofundar a circularidade têxtil-para-têxtil. O objetivo é colocar em discussão não apenas a possibilidade técnica de reciclar os resíduos, mas também as condições necessárias para que estes materiais possam efetivamente voltar a entrar na cadeia de valor.

Com esta abordagem, o seminário pretende cruzar estratégia, experiência e demonstração prática, aproximando a realidade dos municípios das necessidades da indústria e das soluções desenvolvidas por empresas e entidades de investigação. A ambição é clara: contribuir para que o resíduo têxtil deixe de ser visto apenas como o fim de um produto e passe a ser encarado como matéria-prima para um novo ciclo.

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