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Enquanto em Portugal é concedido um período extra de saldos para permitir aos estabelecimentos que tiveram que ser encerrados escoar os seus produtos e dinamizar a atividade, o governo espanhol decidiu proibir os saldos nesta fase de reabertura. Espanha quer impedir a formação de aglomerados de clientes nas lojas das principais cadeias de retalho, indo contra o que especialistas e associações do setor consideravam ser essencial para relançar os negócios.
É essa perspetiva de apoio ao relançamento dos negócios que é adotada em Portugal, com particular importância para o setor da moda e vestuário. Esta segunda-feira, dia 11 de maio, o Presidente da República promulgou o decreto do g0verno que autoriza as marcas e lojas a fazerem saldos em maio e junho, um período excecional que não será tido em conta para o limite anual de 124 dias de saldos.
O decreto-lei estabelece, assim, um regime excecional e provisório para as práticas comerciais com redução de preço, na sequência do levantamento das medidas restritivas adotadas no decurso do estado de emergência. Esta medida permite aos estabelecimentos, que tiveram que ser encerrados ou cuja atividade foi suspensa, escoar os seus produtos e dinamizar a respetiva atividade, conforme anunciou o Governo.
Já em Espanha, o governo vetou as reduções para evitar multidões em estabelecimentos comerciais, no âmbito de medidas que continuam a afetar o comércio no processo de desconfinamento e aligeiramento do estado de alarme.
Segunda disposição do Minstério de Saúde publicada no Boletim Oficial do Estado (BOE), “os estabelecimentos não podem anunciar ou realizar ações comerciais que possam dar origem a multidões, tanto dentro do estabelecimento comercial como nas proximidades. Esta restrição não afetará as ofertas ou promoções feitas através do site” das empresas.
Eduardo Zamácola, presidente da Associação Empresarial de Têxteis, Acessórios e Couro (Acotex), disse, citado pelo jornal Modaes, que gerar liquidez é uma necessidade para as empresas de moda espanholas, pelo que a medida do governo apenas agravará a a situação das empresas.
Também a Associação Nacional de Grandes Empresas de Distribuição (Anged) criticou as restrições à abertura de lojas de mais de 400 m2 ou localizadas em shopping e parques – medida que mantém fechadas as principais lojas das maiores cadeias comerciais a operar no país.