Bebiana Rocha
A redução da pegada carbónica e o reforço da autonomia energética estão entre os principais resultados apresentados pela Riopele no seu relatório de sustentabilidade de 2025, divulgado esta quinta-feira. A empresa emitiu menos 8.390 toneladas de CO₂ do que no ano anterior e reduziu em 9% as emissões associadas à sua cadeia de valor, que passaram de 60.259 para 54.906 toneladas.
O avanço é particularmente significativo na produção própria de energia renovável. A eletricidade gerada através de sistemas fotovoltaicos aumentou 280% num ano, atingindo 5,4 milhões de kWh, resultado do investimento numa nova central fotovoltaica. No conjunto, as fontes renováveis já representam 59% da energia consumida pela empresa, num percurso que a Riopele enquadra no objetivo de neutralidade carbónica.
Também a intensidade das emissões de Scope 1 e 2 por tonelada de produto vendido diminuiu 24%, sinalizando que a redução das emissões acompanha a atividade produtiva e não resulta apenas de uma diminuição da produção.
A estratégia ambiental estende-se à gestão da água e dos resíduos. Embora a captação de água tenha aumentado cerca de 9%, em linha com o crescimento da produção, a quantidade de efluentes gerados caiu 11%, de 431.916 para 383.889 metros cúbicos. A recuperação interna de efluentes chegou aos 59%, evitando a captação de 407.191 metros cúbicos de água da natureza.
Nos resíduos, a empresa registou 1.457 toneladas em 2025, menos 181 toneladas do que no ano anterior, sendo que 99% foram encaminhados para valorização.
Circularidade já pesa mais na produção
A transformação estende-se às matérias-primas. Os materiais reciclados representaram 30% do consumo em 2025, contra 21% em 2023, enquanto 78% dos produtos vendidos incorporaram matérias-primas responsáveis.
A Riopele reforçou igualmente a proximidade da cadeia de abastecimento: 40% das compras foram realizadas a fornecedores portugueses, contra 37% em 2024, e outros 25% a fornecedores europeus. As compras fora da União Europeia diminuíram 8%.
A empresa está ainda a trabalhar na rastreabilidade e na preparação das marcas para as novas exigências regulatórias europeias, através da implementação de uma solução de rastreabilidade digital em toda a cadeia. Em paralelo, criou a Materials Strategy, que classifica os produtos de acordo com o respetivo impacto ambiental, com o objetivo de facilitar decisões de compra mais conscientes.
40 milhões de euros para transformar a empresa
Os resultados ambientais inserem-se num ciclo de 40 milhões de euros de investimento estrutural realizado entre 2023 e 2025, destinado à inovação, economia circular e valorização das pessoas, com a Academia Riopele a assumir um papel central.
O investimento decorreu num período de crescimento: a empresa alcançou uma faturação de 95,5 milhões de euros em 2025, acumulando um crescimento de 25% nos últimos cinco anos. Para José Alexandre Oliveira, presidente do conselho de administração da Riopele, a sustentabilidade é o pilar central da estratégia da empresa para criar valor a longo prazo.
Inovação desenvolvida com as marcas
A aposta na transformação tecnológica e ambiental passa também por projetos de co desenvolvimento com grandes marcas e empresas internacionais. Entre as iniciativas destacadas estão os trabalhos com Hugo Boss e HeiQ AeoniQ, no desenvolvimento de tecidos com filamento e fio AeoniQ; Under Armour e Celanese, para novas soluções de filamento elástico alternativo ao elastano; e Inditex e Infinited Fiber Company, no desenvolvimento e testes industriais de tecidos com fibra Infinna.
Com a Inditex, a Riopele está também a avançar na implementação industrial de elastano reciclado produzido a partir de 100% de resíduos têxteis pós-industriais, enquanto a parceria com a Everdye explora novos processos de tingimento ecológico.
O relatório destaca ainda a participação em projetos mobilizadores como Be@t, Texpact, Giatex, Lusitano e 2xBlue, bem como a componente social e a ligação da empresa à comunidade.
Mais do que uma evolução isolada nos indicadores ambientais, os dados de 2025 mostram uma Riopele a procurar integrar energia renovável, circularidade, eficiência de recursos e rastreabilidade no próprio modelo industrial, enquanto mantém uma trajetória de crescimento.