28 agosto 25
Empresas

Bebiana Rocha

Ricardo Silva: “Portugal será um país cheio de marcas”

“Antes de me reformar, Portugal será um país cheio de marcas.” A convicção é de Ricardo Silva, CEO da Tintex Textiles, em entrevista ao podcast Liga dos Inovadores, do Expresso. O episódio, um dos mais ouvidos do ano, foi recuperado esta semana pelo jornal para sublinhar a ideia de que Portugal tem condições para ultrapassar a Itália no domínio das marcas próprias.

Segundo o empresário, a grande transformação da indústria nacional foi deixar de vender apenas malha em cru para oferecer hoje um serviço completo. “Eles [os italianos] estão em decadência, nós estamos em crescimento”, afirmou.

A conversa começou centrada na sustentabilidade, passando pela reutilização de água, utilização de corantes naturais, passaporte digital do produto e regulamentação. Evoluiu depois para o desafio da durabilidade dos têxteis. “Está a haver uma hibridização das estruturas de malha circular, mais confortáveis, com os tecidos, mais duráveis. Durabilidade máxima e conforto acrescido é o propósito da nova vaga da têxtil e Portugal está claramente na dianteira”, defendeu.

O CEO sublinhou ainda que o seu objetivo de carreira é ajudar os consumidores a identificar facilmente a qualidade de uma peça. “Ao comprar, todos devem conseguir perceber se uma peça é boa ou má”, disse, apontando exemplos como o borboto ou a solidez da cor.

Ricardo Silva considera essencial que o setor deixe de tentar agradar a todos os clientes e passe a afirmar-se com coragem, para evoluir rumo a marcas próprias de sucesso e alcance global.

A digitalização e a maior disponibilidade de dados são, no seu entender, fatores que simplificam a criação de marcas. O empresário destacou também o crescente espírito de colaboração e parceria entre empresas portuguesas como um sinal positivo para a fileira.

A aposta da Tintex passa pela inovação, sustentabilidade e ganho de escala, para colocar no mercado produtos que não deformam, não rasgam, não desbotam e não amarrotam. A regulamentação terá aqui um papel determinante, frisou.

Entre os exemplos de diversificação apresentados está o cânhamo, fibra que, segundo o CEO, tinge como o algodão, é semelhante ao linho em frescura, mas mais durável pela sua resistência e ainda mais leve.

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