10 fevereiro 23
Exportações

Ana Rodrigues

Resultado histórico mas amargo para as exportações têxteis

Com um resultado nunca antes alcançado, as exportações têxteis e vestuário ascenderam para 6.122 milhões de euros, no ano de 2022, significando um aumento do valor exportado em 13%, comparado com o ano de 2021, revelou em comunicado, hoje, a ATP. Porém, em quantidade, as exportações registaram uma quebra anual de quase 1%, nomeadamente pelo efeito da forte contração (-11%) do último trimestre do ano. A justificação para este diferencial entre o valor e quantidade é, sobretudo, o aumento generalizado dos custos de produção, em particular, o aumento dos preços de energias, com especial destaque para o gás natural.

A instabilidade e a incerteza provocada pela guerra na Europa teve, também, graves consequências no mercado energético e originou uma inflação generalizada nos preços dos bens, dos serviços e um aumento das taxas de juro, o que impactou o rendimento disponível para o consumo de bens não essenciais. Como tal, aconteceu uma desaceleração da procura ao longo do ano, o que trouxe implicações na produção e nas exportações deste sector.

Ainda assim, em termos de grandes categorias de produtos, em volume, foi exportado -0,3% de matérias têxteis (menos 894 toneladas), -3,3% de vestuário (menos 3.118 toneladas) e -0,1% de têxteis-lar e outros artigos têxteis confecionados (menos 77 toneladas). No entanto, há mercados onde há crescimento em valor e quantidade, como é o caso da França, para onde exportámos mais 21% em valor e mais 7,7% em quantidade ou a Itália, para onde exportámos mais 17% em valor e mais 25% em quantidade.

Para Espanha, principal destino das exportações, foi recuperado algum do valor perdido em 2020, tendo crescido cerca de 3% face a 2021, mas ainda aquém dos valores exportados em 2019. Em quantidade o valor das exportações, em 2022, é de -4,4%. Os mercados que registaram maiores quebras em valor foram a China (menos 8,5 milhões de euros, -13%) e a Rússia (menos 5,7 milhões de euros, -69%).

Em 2002, a balança comercial do sector teve um saldo de 696 milhões de euros, com uma taxa de cobertura de 113%.

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