Bebiana Rocha
A feira transfronteiriça Resotex regressa a Plasencia, em Espanha, entre 18 e 20 de setembro, para uma edição que coloca no centro do debate o futuro do ecossistema têxtil transfronteiriço. O encontro, dedicado à moda sustentável e à reciclagem têxtil, assinala também a última feira realizada no âmbito da execução do projeto Resotex, do qual a ATP – Associação Têxtil e Vestuário de Portugal faz parte.
Sob a questão “O que o ecossistema têxtil transfronteiriço precisa para continuar a crescer?”, a edição de 2026 pretende reunir empresas, entidades e outros intervenientes que participaram no projeto para partilhar experiências e discutir os desafios que se colocam ao setor. Nas redes sociais, o consórcio sublinha que esta última edição não pretende ser apenas um encerramento, mas “um ponto de partida para continuarmos a fortalecer tudo o que construímos juntos”.
O futuro do setor estará em particular destaque nas Jornadas Técnicas, que abrem o programa no dia 18, às 9h00, no Complexo Cultural Santa María. O seminário será organizado em três mesas-redondas, reunindo diferentes parceiros e entidades que colaboraram ao longo do projeto.
A primeira mesa, “Quem confecionará amanhã?”, será dedicada às necessidades de pessoas e competências para o setor, contando com a participação de Alfredo Medina, da Federação Espanhola de Empresas de Confeção, Pedro Guimarães, do Modatex, SEXPE, María José González, da Nánu Confeção, e Catarina Gomes, da empresa portuguesa J.Gomes. O segundo bloco desta sessão irá discutir “O que é necessário num atelier para se transformar?”, com intervenções da Maccon Ventay Preparación, do CITEVE e da Junta da Extremadura.
A segunda mesa-redonda será dedicada aos “Hubs e Citlabs: espaços para inovação, experimentação e ligação do setor”, colocando em discussão a rede de centros criativos transfronteiriços, com a participação dos municípios da Covilhã e do Fundão e das Diputaciones de Badajoz e Cáceres.
Já a terceira mesa parte da própria questão central da edição – “O que é necessário para o ecossistema têxtil transfronteiriço continuar a crescer?” – e reúne representantes de JM Cruz, André Campos, Dehesa Lanalaneras, Laura Manela, J.Gomes, Ras de Terra, Remaduarte, Red Circular Fab e Diputación de Badajoz.
A participação portuguesa estará ainda em evidência numa sessão que junta Ana Dinis, diretora-geral da ATP, Ángela Monray, da Moda España, Edo dos Castillos en L’Aire, Paloma Castro e Susana Ávila, do Resotex Diputación de Cáceres. A discussão abordará o projeto numa perspetiva mais ampla, “da marca ao ecossistema” no seu conjunto.
Depois das jornadas, a inauguração oficial da feira está marcada para as 12h30, na Plaza Mayor. É também neste espaço que ficará concentrada a área expositiva e de vendas ao longo dos três dias.
O programa estende-se por vários pontos de Plasencia. Na Plaza de la Catedral, o RESO-LAB terá uma programação diária: “Do esquecimento ao extraordinário”, no dia 18, o concurso “Designer por um dia”, no dia 19, e experiências de design 3D com material orgânico, no dia 20.
Na Plaza del Mercado realiza-se o “Re-Fashion”, com uma swap party, workshops de upcycling e ações de arranjos. A programação inclui ainda ações de sensibilização para a problemática dos resíduos têxteis e visitas guiadas ao Museu Etnográfico Têxtil Pérez Enciso.
Ao longo dos três dias, o Resotex procura assim colocar em contacto diferentes atores do setor e dar continuidade às ligações criadas através do projeto transfronteiriço, combinando debate técnico, experimentação, criação e sensibilização para a circularidade no setor têxtil.
