22 junho 26
Sustentabilidade

Bebiana Rocha

Relatório da IFC confirma potencial de Marrocos na reciclagem têxtil

Marrocos está a consolidar a sua posição no universo dos têxteis circulares, segundo um novo relatório da International Finance Corporation (IFC). Em comunicado, a organização revela que os testes-piloto realizados no âmbito do Programa de Circularidade Têxtil em Marrocos demonstram que a reciclagem de resíduos têxteis no país é tecnicamente viável e comercialmente sustentável. A expansão desta atividade poderá, inclusivamente, atrair até 1,9 mil milhões de dólares em investimento privado adicional e criar mais de 300 mil postos de trabalho.

Os resultados mais recentes do programa, implementado pelo Ministério da Indústria e Comércio de Marrocos em parceria com a Associação Marroquina da Indústria Têxtil e do Vestuário (AMITH) e com o apoio das embaixadas de Espanha e dos Países Baixos, comprovam que é possível produzir materiais têxteis reciclados que cumprem os exigentes requisitos de qualidade europeus.

O relatório confirma a transformação de 427 toneladas de desperdícios têxteis provenientes da produção em novas matérias-primas. Paralelamente, cerca de 2.400 toneladas de resíduos têxteis foram encaminhadas para diferentes processos de reciclagem.

Uma avaliação do ciclo de vida realizada durante o projeto-piloto concluiu ainda que os materiais reciclados podem reduzir as emissões de carbono em aproximadamente 18% face aos métodos de produção convencionais. O consumo de água poderá igualmente diminuir mais de 60%.

Perante estes resultados, a IFC defende a adoção de medidas políticas específicas para posicionar Marrocos na vanguarda da produção sustentável. Entre as recomendações destacam-se a reclassificação das sobras de produção como subprodutos industriais, em vez de resíduos, a revisão das normas alfandegárias para permitir que as marcas transfiram a propriedade legal destes materiais para fabricantes locais, a criação de uma plataforma nacional de rastreabilidade capaz de responder aos requisitos do Passaporte Digital de Produto (DPP) da União Europeia e o reforço da capacidade nacional de fiação, evitando que a fibra reciclada tenha de ser exportada para processamento antes de poder ser reutilizada no mercado interno.

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