11 maio 26
Sustentabilidade

Bebiana Rocha

Relatório da GFA aponta sustentabilidade como vantagem financeira para as marcas

A Global Fashion Agenda, em conjunto com a Boston Consulting Group, desenvolveu um relatório sobre resiliência financeira através da sustentabilidade. A publicação, apresentada na passada semana durante o Global Fashion Summit, em Copenhaga, baseia-se em contributos de CFOs e quadros executivos seniores, bem como na análise de mais de 150 marcas de moda, procurando demonstrar como a integração da sustentabilidade nos processos financeiros pode reforçar a resiliência das empresas e gerar valor.

Foram ouvidos mais de 30 CFOs e executivos, entre os quais Margarida Salvans, Adam Karlsson, Mia Zhou e Engin Mete. O relatório refere ainda empresas e organizações como o Kering, o H&M Group, a Bestseller, a VF Corporation, a Unilever e a Future Supplier Initiative.

“Num momento em que a atenção dos executivos se desloca para pressões de curto prazo, as implicações financeiras da sustentabilidade estão a intensificar-se”, enquadra a Global Fashion Agenda, em comunicado. A organização acrescenta que “a sustentabilidade apresenta claras oportunidades económicas, com cerca de 70% das reduções de emissões no sector da moda a poderem ser alcançadas com baixos custos ou até com poupanças, enquanto os modelos de negócio circulares registam crescimentos de dois dígitos nas receitas”.

Entre as principais conclusões da publicação destaca-se a ideia de que a incorporação da sustentabilidade no controlo financeiro, no planeamento e na alocação estratégica de capital pode acrescentar valor diferenciador às empresas, assegurando que as iniciativas geram benefícios sociais e ambientais sem comprometer o desempenho financeiro.

O relatório sublinha ainda que a sustentabilidade está a impulsionar o crescimento das receitas. As empresas destacadas como casos de estudo registam reduções de custos e aumentos do volume de negócios através de investimentos eficientes em iniciativas sustentáveis. “Os CFOs apontaram ainda benefícios mais amplos decorrentes da maior transparência e supervisão exigidas pela sustentabilidade, bem como um reforço da notoriedade e valor da marca e um maior envolvimento dos colaboradores”, refere o documento.

Ao mesmo tempo, a publicação detalha o impacto crescente das taxas de responsabilidade alargada do produtor, que deverão deixar de representar um custo marginal para passarem a assumir um peso significativo nas demonstrações de resultados. O relatório avança mesmo com estimativas concretas: para uma marca de moda de massas com receitas entre 5 e 10 mil milhões de dólares, estas taxas anuais poderão atingir os 60 milhões de dólares até 2030.

A publicação alerta ainda para a volatilidade das matérias-primas e para os riscos climáticos, sugerindo mecanismos que permitam aos departamentos financeiros gerir a sustentabilidade como um ativo estratégico. Entre as soluções apontadas estão a definição de preços internos de carbono e a utilização de taxas de hurdle ajustadas.

Para as empresas que não conseguem financiar sozinhas a transição sustentável, a Global Fashion Agenda destaca igualmente iniciativas como a Future Supplier Initiative e o Fashion Climate Fund como formas de acelerar esse processo.

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