1 abril 26
Sustentabilidade

Bebiana Rocha

ReHubs e Boston Consulting Apontam o Alto Custo da Reciclagem T2T

A ReHubs, em colaboração com a Boston Consulting Group, apresentou esta semana um novo relatório sobre os avanços do setor têxtil e vestuário na circularidade têxtil, com foco nos resíduos têxteis na Europa e na escalabilidade do Textile-to-Textile.

O estudo “Advancing Textile Circularity in Europe: The case for system-level scale-up” conclui que, em 2025, a Europa gerou cerca de 13,3 milhões de toneladas de resíduos têxteis pós-consumo, dos quais menos de 1% foi reciclado e incorporado em novos têxteis.

O relatório projeta que este volume poderá atingir 18,1 milhões de toneladas até 2035, impulsionado pelo crescimento estrutural da procura – estimado em cerca de 4% ao ano – e pelo mercado de fast fashion, que deverá crescer 11% anualmente no mesmo período.

Para alcançar um cenário em que cerca de 15% dos resíduos têxteis pós-consumo sejam reciclados até 2035, seriam necessários investimentos iniciais entre 8 e 11 mil milhões de euros, e custos operacionais anuais entre 5 e 6,5 mil milhões de euros. Com estes recursos, seria possível reciclar 2,7 milhões de toneladas de resíduos têxteis e transformá-los em novas fibras, o que implicaria aumentar a recolha de 33% para 50%, a triagem de 36% para 63%, e criar praticamente do zero a capacidade de reciclagem necessária.

O relatório sublinha que o problema não é apenas o investimento, mas também a rentabilidade dos intervenientes da cadeia. Segundo o resumo publicado pela Texfash, o custo adicional estimado para uma t-shirt de 10€ seria de cerca de 60 cêntimos.

No entanto, o estudo revela que os coletores mantêm margens entre 0% e 5%, os pré-processadores entre 4% e 8%, os operadores de triagem passam de 3-5% para -5% a 0%, e os recicladores enfrentam margens profundamente negativas – no caso do poliéster, um EBIT entre -75% e 25%, e no caso do algodão e fibras celulósicas, entre -100% e -50%.

De acordo com a ReHubs e a Boston Consulting, os recicladores não conseguem suportar estes custos, os governos dificilmente o farão a longo prazo, e as marcas terão de enfrentar custos cerca de 2,5 vezes superiores aos da fibra virgem, enquanto os consumidores não estão dispostos a pagar preços mais elevados. Resumo completo aqui.

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