Bebiana Rocha
O setor têxtil e do vestuário esteve hoje representado no XI Encontro da Casa das Ciências, que decorreu no Centro Cultural Vila Flor, em Guimarães, através das intervenções de Sílvia Correia, fundadora da re.store, e Luís Cristino, cofundador da OMA.
As sessões decorreram perante uma plateia de cerca de 350 professores de todo o país, um número que evidencia a relevância daquele que é um dos principais encontros nacionais de formação contínua de docentes nas áreas científicas.
Na sua intervenção, Sílvia Correia apresentou o conceito da re.store, um espaço que atua “entre a entropia e a sinergia”, criando novos produtos e estabelecendo novas ligações entre empresas, comunidades e pessoas a partir de desperdícios têxteis.
“Transformar exige mais do que reutilizar materiais. Exige compreender relações, ativar conhecimento e formar changemakers preparados para agir com consciência e propósito”, afirmou a empresária.
Já Luís Cristino explorou o potencial do Passaporte Digital de Produto, que descreveu como o novo ADN da indústria têxtil. Através da ciência dos dados e da rastreabilidade, explicou como a União Europeia está a redefinir as regras do setor para combater o greenwashing e promover uma maior transparência ao longo da cadeia de valor.
Durante a sessão, partilhou ainda conhecimento sobre a forma como é possível medir a pegada de carbono e a toxicidade química de cada peça de vestuário, evidenciando a importância destes indicadores para uma tomada de decisão mais informada e sustentável.
O XI Encontro da Casa das Ciências decorre este ano sob o tema “Por cidades de um só planeta: mobilidade, sustentabilidade, recursos e governança no contexto educativo”.
Até quinta-feira, 9 de julho, o programa reúne conferências, mesas-redondas, oficinas práticas e apresentações de projetos, integradas nas celebrações de Guimarães como Capital Verde Europeia 2026. A iniciativa pretende promover a reflexão sobre o papel da educação na resposta às alterações climáticas e na construção de comunidades mais sustentáveis.
Considerado uma das principais iniciativas nacionais de formação contínua de professores nas áreas científicas, o Encontro da Casa das Ciências reúne anualmente centenas de docentes de todo o país, afirmando-se como uma plataforma privilegiada para a partilha de conhecimento entre a comunidade científica, o sistema educativo e diferentes setores de atividade.
Para Luís Cristino, a presença da indústria têxtil neste contexto constitui uma oportunidade para aproximar a realidade do setor da comunidade educativa. “Correu muito bem. Fui numa perspetiva de educar, porque, na realidade, todos nós nos debatemos com compras de ultra fast fashion“, afirmou ao T Jornal. Durante a sessão, procurou demonstrar o impacto da indústria têxtil e explicar de que forma o Passaporte Digital de Produto poderá alterar a relação dos consumidores com o vestuário.
Segundo o consultor, a participação dos professores revelou interesse e curiosidade, tendo sido colocadas questões relacionadas, por exemplo, com o destino dos têxteis em fim de vida. Uma parte considerável da plateia não conhecia a realidade do setor nem os esforços que têm sido desenvolvidos ao nível da reciclagem e da circularidade.
“Foi um momento importante para que sejam eles próprios embaixadores destas mensagens e, também, para abrir portas a futuras visitas às escolas”, concluiu Luís Cristino.