Bebiana Rocha
A Pyratex e a sua coleção de tecidos Pyratex Solea foram ontem destacadas pelo jornal espanhol El Conciso, que explica o projeto desenvolvido pela empresa na Andaluzia com o objetivo de criar uma cadeia de fornecimento têxtil de quilómetro zero e menciona Portugal.
A publicação detalha que a iniciativa assenta no cultivo de algodão em cerca de 400 hectares distribuídos entre Sevilha e Córdoba, onde a fibra é semeada, cultivada e descaroçada, seguindo depois para Portugal para as etapas de fiação e tecelagem.
Implementado há cerca de um ano, este projeto continua a afirmar-se como um exemplo relevante da importância de uma maior articulação no têxtil europeu, contribuindo para o encurtamento de cadeias logísticas tradicionalmente dispersas por vários continentes e, consequentemente, para a redução das emissões associadas ao transporte.
Importa enquadrar que menos de 1% da produção mundial de algodão tem origem na Europa e, dessa já reduzida fatia, cerca de dois terços do algodão espanhol é exportado para mercados asiáticos para transformação – uma lógica que este modelo procura contrariar ao privilegiar a proximidade. Esta opção traduz-se igualmente num maior controlo de qualidade ao longo de todo o processo produtivo.
O algodão andaluz Solea já foi, inclusive, incorporado em coleções da Cortefiel e da marca Pedro del Hierro. Paralelamente, a Pyratex mantém uma estreita colaboração industrial com marcas como Adolfo Dominguez, Dior, Mirto e o grupo Inditex.
Mais do que um projeto industrial, esta abordagem posiciona-se como uma oportunidade para aproximar marcas e consumidores de soluções europeias mais sustentáveis, evidenciando as vantagens de um modelo produtivo assente na proximidade, transparência e responsabilidade ambiental.