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As novas linhas Botânica, de tingimento natural sem químicos, e Abstract Burel, de tinturaria abstrata manual em burel, são traves mestras da estratégia da Burel Factory para reerguer a Transformadora. Esta empresa de acabamentos da Covilhã está a renascer das cinzas desde que, em julho de 2021, máquinas e instalações da antiga Alçada e Pereira foram adquiridas à massa falida pelo grupo liderado por Isabel Costa.
“Criámos cores a partir de plantas, extraindo da Natureza os tons calmos que ela nos dá, de forma responsável, utilizando um método de tingimento de tecido com pouca água, ciclos mais curtos e menores consumos de energia”, explica Isabel.
A pandemia do Covid-19 foi o golpe final e mortal na já agonizante Alçada e Pereira, que ganhou direito a uma nova vida pela mão da Burel. “Está a ser um enorme desafio. Tivemos de reparar máquinas, sistemas, entre muitas outras coisas, mas ainda temos tanto para fazer… ”, afirma a responsável da Burel.
A Transformadora dedica-se à ultimação laneira, ao tingimento de lãs, em rama, fio ou tecido. Já se levantou do chão e dá os primeiros passos sem cair, estando a trabalhar em setembro de 2021, garantindo ao mesmo serviço de qualidade do passado, iniciando agora novos ciclos de inovação. “Para que este novo ciclo se torne virtuoso só precisamos de aumentar a carteira de clientes”, diz Isabel.
A Burel é a terceira maior cliente da Transformadora, sendo responsável por cerca de 20% do volume de negócios – que é a 50% assegurado por empresas espanholas da região de Bejar, pois na sua esmagadora maioria as laneiras portuguesas da região são verticais.
Em finais do ano passado, a Transformadora iniciou duas parcerias que a vão ajudar a crescer – uma, na área dos acabamentos, com uma empresa alemã, e outra na área da tinturaria, no segmento da camisaria em tecidos com mistura de lã com uma empresa do Norte.
“Temos de conseguir convencer as empresas do Norte que usam qualquer tipo de mistura de lã que oferecemos excelentes serviços de acabamentos e tinturaria, e que por isso elas não precisam de recorrer a prestadores de serviço fora de Portugal”, afirma a CEO da Burel Factory.
A Transformadora e a Burel Factory têm um projecto com o grupo suiço Givaudant na área dos corantes naturais e upcycling, resultantes da utilização dos mostos obrantes da produção de aromas para a alta perfumaria e setor de detergentes.
É desta parceria que surgiu linha Botânica de tingimento, um dos tónicos que a Burel está a usar para que a Transformadora começa a dar passadas cada vez mais firmes e mais rápidas.
Uma gama de tecidos pintados à mão – a linha AbstractBurel – é outras das atrações do stand da Burel na Première Vision, onde também é apresentada a linha Reloved by Burel Factory.
“O Burel Reloved, reciclado, corresponde ao reforço da nossa estratégia de sustentabilidade e política de desperdício zero. O burel é produzido a partir de fibras de lã recicladas, obtidas através da destruição e esfarrapagem de desperdícios que sobram em todo o processo de confeção de produtos na nossa fábrica”, explica Isabel Costa.