26 fevereiro 20
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Presidente da ATP apreensivo com alastramento do Coronavírus

O recente alastramento a Itália do Covid-19 e os problemas de abastecimento que começam a afetar as empresas lançam alguma apreensão. O presidente da ATP confia, no entanto, que na China a produção esteja a ser retomada.

“De momento não temos nenhuma situação dramática. Claro que estamos apreensivos quando as coisas não evoluem da forma que pretendemos e há possíveis ruturas – não somos inconscientes e o têxtil precisa de vários componentes para continuar a trabalhar. Há sinais vindos da China no sentido das coisas se virem a resolver, esperamos que sim”, declarou ao Expresso o presidente da ATP – Associação Têxtil e Vestuário de Portugal, Mário Jorge Machado.

Já quanto a Itália, o responsável da ATP frisa que a situação é “muito recente” e que surge num contexto de férias do Carnaval, em que grande parte das fábricas têxteis em Portugal estão paradas. “Neste momento temos de aguardar mais algum tempo e ver se há necessidade de algum tipo de medidas para precaver algum tipo de problema com o norte de Itália, que, do ponto de vista de toda a Europa, é um ponto muito importante de trocas comerciais”, referiu.

Olhando para o que se passa na China, o receio é de que haja falta de matérias primas e componentes – nomeadamente “fios sintéticos, algumas etiquetas, acessórios de plástico, fechos” –, uma situação que diz ainda não se ter verificado entre os associados da ATP.

“As informações que temos é que a produção na China está a ser retomada só com pessoal local, algumas delas estão a uns 30% da sua capacidade. Esperemos que esteja a normalizar”, acrescenta.

No meio da incerteza, o presidente da ATP vê até que algumas encomendas  possam ser desviadas da China para as têxteis portuguesas, caso  conseguirem manter a sua laboração normal. “Senti nos últimos dias, nomeadamente no MODtissimo, que compradores de várias marcas portuguesas fizeram mais encomendas para evitarem estar expostos a mais questões de geosaúde e geopolítica. É como diz o ditado popular, não querem pôr os ovos todos no mesmo cesto”, explicou Mário Jorge Machado.

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