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Portugal é, sem sombra de dúvidas, a melhor hipótese para nearshoring na fileira têxtil, garantiu Alexandra Araújo, da direção da ATP, na conferência subordinada ao tema ‘Resilience and regenerative supply chains’, realizada em Munique e promovida pela ISPO. Em cima da mesa estava uma questão que se tornou incandescente com a pandemia de Covid e agravada pela guerra na Ucrânia: como evitar no futuro as disrupções nas cadeias de abastecimento provocadas por acontecimentos que as empresas não podem controlar e que de um momento para o outro as obrigam a parar a produção?
“O sistema de just in time adoptado pela indústria automóvel revelou-se ser muito eficiente mas, como se viu, é extremamente vulnerável a choques inesperados. A resposta a esta fragilidade está na constituição de safety stocks e numa aposta no nearshoring. Claro que isso vai encarecer a produção, mas temos de nos preparar para essa inevitabilidade”, advertiu Oliver Ouboter, CEO da Micro-Mobility Systems.
“As marcas têm de repensar onde fazem as compras se querem que as suas encomendas sejam entregues a horas”, acrescentou Alexandra Araújo.
Quando a magna questão da relação entre preço e valor entrou na discussão, Miguel Mendes, da A. Sampaio, resolveu o assunto numa frase: “Price and value are diferente things. When they match there is a sale”.
“O nearshoring e a qualidade são apenas duas faces do que está neste momento em causa. É preciso também observar valores como a transparência, traceabilidade e respeito pelo ambiente. Tudo isto é fácil de obter em Portugal. Desde 2007 que a sustentabilidade é uma preocupação diária. 100% da energia que usamos é renovável”, conclui Miguel Mendes.