28 agosto 26
Comércio Internacional

Bebiana Rocha

Portugal desafia a tendência europeia nas exportações para os EUA

O excedente comercial da União Europeia com os Estados Unidos caiu para 60 mil milhões de euros no primeiro semestre de 2026, menos de metade dos 127 mil milhões registados no mesmo período do ano anterior. A evolução acontece num contexto de normalização das exportações europeias depois do forte aumento registado em 2025, quando muitas empresas anteciparam encomendas para os EUA perante a entrada em vigor das tarifas da administração Trump.

Os dados do Eurostat mostram que, no segundo trimestre, o excedente comercial da UE com os Estados Unidos caiu para 29 mil milhões de euros, menos 38% do que no mesmo período de 2025. Entre abril e junho, as importações europeias provenientes dos EUA aumentaram de 88 para 99 mil milhões de euros, enquanto as exportações recuaram de 135 para 128 mil milhões.

A comparação com o ano anterior, contudo, é influenciada por um comportamento excecional das empresas europeias. No primeiro trimestre de 2025, as exportações da UE para os EUA atingiram um máximo histórico de 171 mil milhões de euros, muito acima da média trimestral dos últimos anos, situada em torno dos 130 mil milhões. O aumento refletiu a antecipação de encomendas e a constituição de stocks antes da aplicação das novas tarifas norte-americanas.

O regresso das exportações a níveis mais próximos do normal acaba, assim, por acentuar a quebra registada em 2026. Para os setores industriais mais expostos ao mercado norte-americano, entre os quais se encontra o têxtil e vestuário, a evolução confirma a importância que a política comercial dos EUA continua a ter sobre as decisões de compra e as cadeias de fornecimento.

Portugal apresenta, contudo, uma evolução mais positiva. Em junho de 2026, as exportações portuguesas para os Estados Unidos registaram um acréscimo homólogo de 41,5 milhões de euros, colocando o país como o terceiro parceiro comercial com maior aumento absoluto das exportações portuguesas entre os dez principais destinos, apenas atrás de Espanha, com mais 227,6 milhões de euros, e da Alemanha, com mais 49,8 milhões.

No caso específico das matérias têxteis, os dados acumulados do primeiro semestre também mostram uma evolução positiva. Entre janeiro e junho, Portugal exportou para os EUA 213,7 milhões de euros, contra 206,8 milhões de euros no mesmo período de 2025, um aumento de 6,9 milhões de euros (3,4%).

Em volume, o crescimento foi mais expressivo: as exportações passaram de 16,5 milhões para 18,7 milhões de quilos, mais 2,2 milhões de quilos, correspondente a um aumento de 13,2%.

Dentro deste conjunto, o vestuário e seus acessórios representou 92,4 milhões de euros, resultantes de 56,1 milhões de euros em vestuário de malha e 36,3 milhões de euros em vestuário exceto de malha. No primeiro semestre de 2025, estas duas categorias tinham totalizado 89,3 milhões de euros, traduzindo um crescimento de 3,1 milhões de euros (3,5%).

Entre as restantes categorias com maior peso surgem os outros artefactos têxteis confecionados, com 71,6 milhões de euros, acima dos 70,7 milhões de euros registados no período homólogo, e os tecidos impregnados, revestidos, recobertos ou estratificados e artigos para usos técnicos, que atingiram 11,7 milhões de euros, contra 10,6 milhões de euros em 2025.

Em junho, as exportações portuguesas de matérias têxteis para os Estados Unidos totalizaram cerca de 36 milhões de euros, praticamente em linha com os 36 milhões de euros registados no mesmo mês de 2025. Em volume, registou-se uma ligeira redução, de 2,3 milhões para 2,2 milhões de quilos.

O desempenho do vestuário e seus acessórios foi mais positivo. As exportações atingiram 15 milhões de euros, contra 14 milhões de euros em junho de 2025, um crescimento de cerca de 6,3%. O vestuário de malha representou 9 milhões de euros, enquanto o vestuário exceto de malha alcançou 7 milhões de euros, face a 6 milhões de euros no período homólogo.

Em quantidade, as exportações das duas categorias de vestuário passaram de cerca de 201 mil para 215 mil quilos, um aumento de aproximadamente 6,9%.

Entre as restantes categorias, os outros artefactos têxteis confecionados representaram 14 milhões de euros, abaixo dos 15 milhões de euros de junho de 2025. Já os tecidos impregnados, revestidos, recobertos ou estratificados e artigos para usos técnicos recuaram de 2 milhões para 1 milhão de euros.

Os dados apontam, assim, para uma resiliência das exportações portuguesas de matérias têxteis para o mercado norte-americano, com crescimento tanto em valor como, de forma mais acentuada, em volume, num período em que o comércio entre a União Europeia e os Estados Unidos está a sofrer alterações.

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