Bebiana Rocha
A Canadian Apparel Federation organizou ontem um webinar dedicado à apresentação da indústria portuguesa ao mercado canadiano, com o objetivo de potenciar as parcerias a estabelecer na próxima semana, durante a Première Vision Montréal.
Na sessão participaram Ana Dinis, diretora-geral da ATP – Associação Têxtil e Vestuário de Portugal, e Raúl Travado, delegado da AICEP no Canadá, numa conversa com Bob Kirke, diretor executivo da Canadian Apparel Federation.
Na abertura, Bob Kirke destacou a complementaridade entre Portugal e o Canadá, sublinhando o reconhecimento internacional da indústria portuguesa pela solidez da sua base industrial, competência técnica e capacidade de resposta às necessidades dos clientes.
Raúl Travado centrou a sua intervenção nas vantagens de trabalhar com a indústria têxtil e vestuário portuguesa, salientando também a importância de tirar maior partido do Acordo Comercial UE-Canadá (CETA).
“Portugal tornou-se uma referência”, afirmou, contextualizando que as empresas nacionais já têm uma presença consolidada na América do Norte, o que reforça a pertinência de uma estratégia de diversificação de mercados e de maior aposta no potencial canadiano.
O delegado da AICEP destacou ainda a capacidade de Portugal para construir relações duradouras e mutuamente benéficas, evidenciando a estabilidade dos produtores nacionais e o seu espírito de colaboração como fatores-chave para o sucesso dos projetos.
Sublinhou igualmente o papel da AICEP na ligação entre marcas e empresas, dando como exemplo várias iniciativas desenvolvidas para promover novas parcerias.
A concluir, reforçou a ideia de que o CETA ainda não foi plenamente explorado, apontando a eliminação de custos aduaneiros como uma oportunidade relevante para aumentar a competitividade dos produtos portugueses. “A produção portuguesa é ainda mais atrativa sem estes custos”, afirmou, manifestando confiança no potencial de crescimento da parceria entre Portugal e o Canadá num curto prazo.
Por sua vez, Ana Dinis apresentou o papel da ATP, a dimensão da indústria têxtil e vestuário portuguesa e a força do ecossistema existente na Região Norte, destacando as vantagens de escolher Portugal como fornecedor.
Enfatizou também o trabalho em curso nas áreas da rastreabilidade e reciclagem, identificou os principais produtos exportados para o Canadá e apontou oportunidades de crescimento. A diretora-geral abordou ainda a estratégia do setor para 2030, assente na digitalização, automação, qualificação dos recursos humanos, cooperação e diferenciação.
Em declarações ao T Jornal, Ana Dinis agradeceu a oportunidade de dar a conhecer o potencial da indústria nacional, bem como o apoio da delegação de Toronto na concretização desta apresentação, aproveitando para destacar a presença portuguesa na Première Vision Montréal.
“A Première Vision Montréal é um contexto particularmente relevante para esta aproximação entre Portugal e o Canadá e para o diálogo entre as duas realidades. Para além da visibilidade que proporciona às empresas portuguesas, permite mostrar, de forma concreta, a diversidade da oferta nacional”, afirmou.
A responsável sublinhou ainda que Portugal apresenta uma fileira completa e complementar, com empresas ativas nos segmentos dos tecidos, malhas, denim, meias, confeção e soluções especializadas, combinando know-how técnico, capacidade de desenvolvimento, flexibilidade, fiabilidade e uma crescente preparação para responder a um mercado cada vez mais exigente em matéria de sustentabilidade, dados e transparência.
Por fim, recordou que esta presença internacional se insere no trabalho contínuo de internacionalização do setor desenvolvido pela ATP, nomeadamente através do projeto Sustainable Textile & Apparel From Portugal, que apoia a participação das empresas portuguesas em feiras internacionais e outras ações de promoção externa.