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Preparem-se para um mundo imprevisível, avisou Paulo Portas, o keynote speaker da convenção. “Há meia dúzia de anos, quem seria capaz de prever que os Estados Unidos iam ter o presidente que têm, que o Brexit ia acontecer, que a Alemanha ia entrar em recessão e a Espanha enfrentar uma grave crise secessionista?”, questionou o antigo ministro dos Negócios Estrangeiros (MNE).
“Se perdermos a inovação perdemos o futuro. Temos de investir um mínimo de 3% do PIB no apoio à inovação”, declarou Paulo Portas, acrescentando que a flexibilidade é a aptidão mais importante para as empresas se poderem sobreviver e prosperar num mundo imprevisível.
“Quem acha que o mundo mudou muito nos últimos 40 anos, vai ficar espantado com o que vai mudar nos próximos 20 anos”, advertiu o ex-MNE, dando como exemplos de novas questões: “Os robots vão passar a descontar para a Segurança Social? Os algoritmos vão passar a ser sujeitos a um regime legal e fiscal idêntico ao que regula empresas e pessoas individuais?”.
Num mundo imprevisível, em que a geo-economia é o core da geo-estratégia, não pode haver pausas na globalização. “Há muitas oportunidades na globalização. Mas uma nova ordem económica exige uma nova ordem política, capaz de resolver novos conflitos neste mundo globalizado e digitalizado”, afirma Portas.
Os perigos de uma guerra comercial foram sublinhados pelo ex-MNE: “Estamos habituados a lidar com crises financeiras. Mas o impacto de uma guerra comercial é muito mais grave.
Deteriora-se a confiança, adia-se investimentos, vende-se e compra-se menos. As consequências demoram mais tempo a fazer-se sentir do que nas crises financeiras, mas o tempo de recuperação é muito mais demorado”, conclui Portas.