17 julho 26
Moda

Bebiana Rocha

Polícia italiana visita sedes de nove marcas de luxo

Nove sedes de marcas de luxo foram alvo de visitas da polícia italiana no âmbito de uma investigação relacionada com alegada exploração laboral na cadeia de subcontratação. Entre as empresas visadas estão a Chanel, Bulgari, Brunello Cucinelli, Moncler, Jacob Cohen, Etro, Stefano Ricci, Goyard Italie e Owens Corp Italia, segundo avançou a agência Reuters.

“As marcas foram incluídas na investigação depois de a polícia ter encontrado produtos e documentação de subcontratação relacionados com estas empresas durante buscas a duas fábricas acusadas de explorar trabalhadores chineses em situação irregular”, refere o comunicado divulgado pelas autoridades.

Entretanto, a Chanel confirmou, através de um comunicado, que está a colaborar plenamente com as autoridades italianas. A maison revelou ainda que interrompeu a relação comercial com o subcontratado em causa pouco depois de ter sido alertada para potenciais irregularidades, a 18 de maio.

Também a Brunello Cucinelli reagiu ao caso, lamentando ver o seu nome associado à investigação e reiterando o seu compromisso com os mais elevados padrões éticos, o cumprimento da legalidade e a proteção da reputação do Made in Italy.

As autoridades italianas não acusam diretamente as marcas de exploração laboral. O objetivo da investigação passa por recolher documentação relativa aos mecanismos de governação, aos procedimentos de seleção e monitorização de fornecedores e aos sistemas de controlo das cadeias de abastecimento.

Recorde-se que, em dezembro do ano passado, os Carabinieri de Milão realizaram uma operação semelhante nas sedes de treze maisons de luxo, entre as quais Gucci, Prada e Dolce & Gabbana.

A atuação da Procuradoria de Milão está, assim, a acelerar mudanças estruturais no setor do têxtil e vestuário de luxo. Muitas marcas estão a rever os seus modelos organizacionais, a reforçar as auditorias aos fornecedores e a reestruturar as cadeias de subcontratação para reduzir riscos de incumprimento.

Neste contexto, a rastreabilidade, a due diligence e a monitorização contínua dos fornecedores estão a tornar-se requisitos cada vez mais exigentes para integrar as cadeias de fornecimento deste segmento. Uma tendência que poderá representar uma oportunidade para o Made in Portugal, cuja indústria tem vindo a investir na transparência, na conformidade e na proximidade com as marcas internacionais.

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