Bebiana Rocha
“É nosso dever trabalhar Portugal como um país de destino e de valor”, afirmou Pedro Palha, cofundador da marca portuguesa ISTO., enquanto keynote speaker do evento ‘O Digital para Vender Made in Portugal’, organizado pela ATP – Associação Têxtil e Vestuário de Portugal, no âmbito do projeto Digi4Fashion, esta quinta-feira em Guimarães.
O empresário centrou a sua mensagem na importância da transparência e da consistência na comunicação. Com um tom otimista, incentivou a audiência a acreditar que “o Made in Portugal faz todo o sentido” e que “Portugal como um todo faz sentido”. Salientou que “a oportunidade está aqui”: o reconhecimento externo do potencial português já existe, cabe agora às empresas trabalhar esse reconhecimento.
Pedro Palha destacou que ter um negócio em Portugal exige audácia e partilhou o percurso da ISTO. Ao longo de oito anos, o sucesso da marca passou por chegar ao cliente de forma prática e premium, começando com uma proposta de valor clara e uma comunicação consistente — visível desde logo no próprio nome da marca, que reúne os quatro pilares: Independent, Superb, Transparent e Organic.
“As marcas não podem agradar a todos”, afirmou, apontando esta constatação como um segundo passo essencial para o sucesso. Outro conselho foi reconhecer que não se trata sempre de reinventar a roda: é importante conhecer as próprias inspirações e o Heritage português, porque, por vezes, o antigo é valioso.
Durante a apresentação, Pedro Palha deu bases e exemplos para que os participantes compreendessem o que deve incluir um plano de comunicação anual de uma marca e a importância de manter-se fiel ao propósito inicial.
Entre os exemplos, destacou uma campanha que levou clientes a visitar as fábricas onde os produtos são feitos, reforçando a vertente de total transparência: “Factourism: we are going full transparent – join us on a free tour to our factories”, lia-se num dos slides. A iniciativa contou com cerca de 300 participantes, e Pedro Palha descreveu como foi único visitar a Somelos e almoçar na cantina da empresa.
Segundo ele, são essas relações entre fornecedor, marca e cliente que devem ser preservadas, porque o sucesso do produto não é exclusivo da marca. Reforçou ainda que a compra do produto é consequência de como o cliente se sente ou deseja sentir-se, e que a autenticidade é fundamental para provocar essas emoções.
A ISTO. fatura atualmente cerca de 5 milhões de euros. Pedro Palha considera a marca pequena, ainda exigindo muita atenção para sobreviver. Partilhou também que “a verdadeira criação de valor não fica cá”, dado que o têxtil representa cerca de 30% das despesas, enquanto existem custos muito maiores fora da componente têxtil.
Em termos de dificuldades, destacou que os mínimos da indústria são elevados para marcas pequenas, sobretudo quando querem desenvolver novos produtos, sem garantia de sucesso. Já experienciaram excesso de stock, o que representou uma ameaça, pois a agilidade é uma das maiores vantagens de um negócio.
O empresário falou ainda sobre a rede de lojas ISTO., mencionando as perdas financeiras associadas a trocas e devoluções, margens e estratégias para exponenciar a marca. Quanto ao futuro, Pedro Palha revelou que a meta é abrir novas lojas no estrangeiro, nas principais cidades, com pelo menos três previstas até 2028.