18 maio 26
Sustentabilidade

Bebiana Rocha

Pacto para a Bioeconomia desafia têxtil a acelerar metas de sustentabilidade

As empresas do setor têxtil e vestuário estão a ser convidadas a aderir ao Pacto para a Bioeconomia, uma iniciativa enquadrada no projeto Be@t, formalizada pelo CITEVE em articulação com a APA – Agência Portuguesa do Ambiente e com as associações do setor enquanto entidades patronas: ANIL, ANITLAR, ANIVEC/APIV e ATP.

A assinatura formal do pacto realiza-se já no próximo dia 28 de maio, no Terminal de Cruzeiros do Porto de Leixões, em simultâneo com o evento final do projeto. As empresas interessadas em aderir podem preencher o formulário disponibilizado para o efeito.

Na apresentação do pacto, realizada a 13 de maio, Assunção Mesquita, do CITEVE, sublinhou tratar-se de “um desafio que lançamos ao setor de alinhar as suas estratégias e objetivos em torno de um compromisso coletivo”. A responsável acrescentou que a iniciativa pretende “mobilizar não só entidades empresariais mas também não empresariais e conseguir aqui um alinhamento com os princípios da bioeconomia”.

Estruturado em seis eixos prioritários – Materiais e Circularidade, Água, Energia e Clima, Inovação e Desenvolvimento de Produto, Capital Humano e Cadeia de Valor – o pacto estabelece um enquadramento comum de atuação, alinhado com as estratégias da União Europeia para a sustentabilidade e circularidade dos têxteis.

Segundo a responsável, “o Pacto está estruturado em seis eixos, com diferentes compromissos individuais”, sendo que às empresas é pedido que subscrevam, no mínimo, três deles. Assunção Mesquita referiu ainda que já existem várias adesões, envolvendo tanto PME como grandes empresas, num processo que está em curso e que se espera ver reforçado até e após o dia 28.

Com horizonte até 2030, cada eixo integra compromissos e metas concretas. No âmbito dos materiais e da circularidade, os objetivos passam por atingir 40% de utilização de matérias-primas de base biológica e/ou recicladas, assegurar que 70% dos resíduos gerados sejam valorizados e substituir 80% das substâncias químicas de elevada preocupação.

Prevê-se ainda alcançar 80% de utilização de embalagens de origem renovável e/ou com conteúdo reciclado, aumentar em 20% a utilização de subprodutos e a valorização de resíduos de base biológica, bem como reforçar em 50% a quantidade de produtos têxteis pós-consumo recolhidos para valorização.

Assunção Mesquita destacou ao T Jornal que, entre as metas mais ambiciosas, se encontra precisamente a de atingir 40% de matérias-primas de base biológica ou recicladas, bem como o aumento da utilização de subprodutos e a valorização de resíduos de base biológica através de simbioses industriais.

Na vertente da água, a meta passa por reduzir em 30% o consumo específico. Já no eixo da energia e clima, o objetivo é reduzir em 25% as emissões de gases com efeito de estufa dos âmbitos 1 e 2 e garantir que 50% da energia consumida seja de origem renovável, uma área que, segundo a investigadora, já se encontra em curso por várias empresas.

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