Bebiana Rocha
O Global Fashion Summit, organizado pela Global Fashion Agenda, em Copenhaga, no início deste mês de maio, trouxe anúncios importantes para o sector, entre os quais o lançamento do relatório Fashion CFO Agenda 2026, desenvolvido pela GFA em colaboração com a Boston Consulting Group. Foi também apresentada a coleção primavera-verão de Kévin Germanier, fundador da maison Germanier, que transformou produtos e materiais não vendidos da LVMH em silhuetas escultóricas, unindo artesanato, sustentabilidade e desejo.
Kévin Germanier organizou um desfile de moda que procurou demonstrar que “a circularidade pode estar no centro do processo criativo”. O evento serviu ainda para revelar o vencedor do Trail Blazer Programme, uma iniciativa da GFA em colaboração com a PDS Ventures, tendo sido distinguida a Synflux, bem como a vencedora do prémio Visa Young Creators Recycle the Runway, Martan.
Entre os restantes anúncios apresentados durante os três dias do Summit, destaca-se a parceria da GFA com a ReHubs, que resultou no lançamento do 2030 Circularity Blueprint, com o objetivo de apoiar a reciclagem têxtil para têxtil. Foi igualmente anunciada uma nova aliança entre a GFA e a Sustainable Markets Initiative, destinada a partilhar conhecimento e acelerar o impacto social e ambiental na indústria da moda. A GFA estreou ainda a segunda edição da série Fashion Redressed, produzida pela BBC, que explora a forma como a indústria da moda está a reinventar-se a partir do seu interior.
Por fim, foi apresentado o Bio Elastane da Hyosung TNC, o maior fabricante mundial de elastano. A empresa comprometeu-se a investir mil milhões de dólares na criação do primeiro sistema de produção totalmente integrado de base biológica, desde a cana-de-açúcar até ao bio-BDO, bio-PTMG e, por fim, bio-elastano. Em comunicado, a Hyosung destaca que a cana-de-açúcar assinala um novo capítulo na inovação de materiais de base biológica, garantindo a mesma durabilidade, elasticidade e recuperação do elastano convencional.
Num resumo enviado às redações, a Global Fashion Agenda partilhou ainda alguns números que evidenciam a dimensão desta edição do Summit: mais de mil stakeholders reunidos com o objetivo de impulsionar a ação coletiva em torno dos desafios e oportunidades da indústria da moda; mais de 40 sessões distribuídas por cinco palcos; 144 oradores de 31 países – entre os quais representantes da Chanel, Kering, Parlamento Europeu, H&M, Chalhoub Group, Gruppo Florence, Patagonia, Re&Up, Bestseller, Brunello Cucinelli e Business of Fashion -; mais de 26 horas de conteúdo; 14 leadership roundtables para diálogos estratégicos; e 24 fornecedores de soluções expostos no Innovation Forum.
Na abertura do evento, a CEO da Global Fashion Agenda, Federica Marchionni, sublinhou: “reconheçam a resiliência não como estabilidade, mas como capacidade de adaptação, colaboração e ação”, enquadrando o tema desta edição, Building Resilient Futures.
Neste palco internacional, foram ainda debatidos temas como a descarbonização, cadeias de valor resilientes, escalabilidade dos sistemas circulares têxteis, incentivos políticos à circularidade, aceleração da inovação de base biológica, reforço da infraestrutura de reporte para regulamentação europeia, adaptações nas cadeias de valor do luxo, harmonização das políticas têxteis e o papel das finanças na descarbonização.