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Já ai estão os efeitos da guerra, da subida dos preços e da inflação que, embora compensados ainda em parte pelo valor acrescentado dos produtos, levam ao lançamento de alertas por parte do presidente da ATP. “O arrefecimento está a ser rápido”, avisa Mário Jorge Machado em relação ao ambiente de negócios que já se vive no setor.
“Temos já o efeito da guerra, da subida dos preços, da inflação, embora seja preciso considerar também algum efeito do valor acrescentado do produto, a premiar o esforço de diferenciação das empresas”, alerta o presidente da ATP, citado pelo semanário Expresso num artigo onde também a diretora-geral da ATP recomenda cautelas.
“O quadro ainda é pouco claro, mas a quantidade cai. O valor reflete mais a subida de preços do que o aumento de encomendas”, considera Ana Paula Dinis, comentando os valores das exportações que indicam crescimentos de 18% nos primeiros quatro meses do ano. Números que a ATP tem optado por não divulgar, por considerar que “podem dar a ideia de um clima ainda muito positivo, que não coincide com as mensagens das empresas e poderia dar uma imagem distorcida da realidade”, como explica o presidente.
“Todos os dias recebemos queixas dos associados relativamente ao impacto da crise energética, uma vez que os preços continuam muito elevados. O apoio do Governo é pouco face à gravidade do problema e vai chegar muito mais tarde do que o inicialmente esperado às empresas, uma vez que as candidaturas a apoios só agora foram lançadas. E resta saber quando pagarão às empresas”, alerta a diretora-geral, considerando que “estamos a viver um momento muito difícil, que se agravou com a guerra e já se está a refletir na redução e cancelamento de encomendas”, conclui Ana Dinis.
Alertas que são corroborados pelas empresas, dando conta que, depois do boom do ano passado, as encomendas estão muito rapidamente a voltar aos níveis de 2020. Um sentimento que é transversal a empresas como Têxteis Penedo, A. Sampaio, Cordex, Inovafil, Mundotêxtil, Marizé ou Lameirinho, cujos responsáveis são igualmente citados pelo Expresso.
A par do “valor acrescentado que está a premiar o esforço das empresas”, Mário Jorge Machado aponta ainda a outra tendência de efeito positivo que joga também a favor do Made in Portugal. “Se temos uma boa notícia para dar é que a tendência de muitas marcas comprarem na China está a diminuir. Um estudo do Instituto Francês da Moda confirmou que as marcas procuram fornecedores de proximidade, 90% pensam em Portugal e o país está no top 3 das preferências no que respeita a intenções de compra de proximidade”, revela o presidente da ATP.