22 Setembro 2017
Workshop ATP

José Augusto Moreira

O futuro das exportações aponta para EUA e Canadá

Mesmo com todas as barreiras alfandegárias ainda em vigor, os Estados Unidos são já um dos principais clientes da ITV nacional (5º lugar) e um dos que mais tem crescido – 11,1% no primeiro semestre em relação ao ano passado. Olhar para o outo lado do Atlântico é, por isso, um dos objectivos estratégicos da ATP – Associação Têxtil de Vestuário de Portugal, que promoveu um workshop dedicado, precisamente, a olhar “Os Têxteis Através do Atlântico”.

O desafio está ai, ainda por cima numa altura em que acaba de entrar em vigor (ontem, 21 de Setembro) o CETA, o acordo que abre portas ao comércio sem barreiras entre União Europeia e o Canadá. “Com mais de 80% das exportações concentradas no espaço comunitário, há uma necessidade estratégica de expandir os nossos mercados”, lembrou o director-geral da ATP, Paulo Vaz, que teve na resposta dos empresários o melhor exemplo da fibra com que é feito o ADN actual da nossa ITV: Somelos e Pizarro, SA, há muito que atravessaram os Atlântico e os negócios com os EUA são não só estratégicos como não param de crescer.

Para a Pizarro, “os EUA são um mercado estratégico e temos até um cliente importante que nos obrigou a mudar a estrutura de produção, a passar de fornecedores de serviços a produtores”, disse Margarida Pizarro, que com Paulo Melo, da Somelos, animou o workshop que teve lugar nas instalações do Citeve. “Não podemos ficar parados, a fazer sempre as mesmas coisas, se o cliente quer temos que nos adaptar”, continuou a jovem (34 anos) directora da Pizarro, esclarecendo que mesmo não sendo um dos mercados de maior volume no negócio actual da empresa (5 a 6% das exportações), a América “é para nós crucial na estratégia de internacionalização”. E logo deixou claro que ficou com a pulga atrás da orelha ao saber das novas possibilidades do comércio com o Canadá.

Também para a Somelos há muito que os EUA fazem parte da estratégia da empresa de não colocar os ovos todos no mesmo cesto. “Temos mais de dois mil clientes e o maior não chega a representar mais de 3% do negócio”, esclareceu Paulo Melo, que é também o actual presidente da ATP. “Somos uma empresa mundial, falamos com gente de todo o mundo”, disse, para explicar que a proactividade e a capacidade de acompanhar e antecipar tendências fazem parte do sucesso do têxtil made in Portugal.

Além da abertura de um escritório na Ásia – “precisávamos de perceber de saber porque vendíamos ou porque não vendíamos” – a Somelos abriu também, há três anos, um escritório em Nova Iorque, com dois comerciais portugueses a substituir o representante local de muitos anos. “Num ápice passamos de 30 para 130 clientes e os EUA passaram de 5ª para o nosso principal mercado de exportação”, disse o líder da Somelos.

Tudo isto ainda com taxas alfandegárias, um cenário que poderá ser bem mais desanuviado caso avancem a negociações do acordo TTIP entre os EUA e a Europa, que pararam com a chegada da administração Trump. A par da esperança no retomar das negociações, o eurodeputado José Manuel Fernandes, outro dos participantes no workshop, deixou ainda nota dos múltiplos instrumentos de que Portugal dispões ao nível do orçamento comunitário para apoio à indústria e à exportação.

Fernandes, que integra o grupo dos Populares Europeus (PSD) e é um dos responsáveis directos pela elaboração do orçamento de Bruxelas e pelo plano Juncker, deixou também nota dos 1.700 milhões  de euros que há muito estão afectos no Banco e Investimento para a criação de apoios financeiros à indústria. “Quantos foram criados? Nenhum”, lamentou.

No capítulo das queixas, também Paulo Melo deixou o alerta do costume: “Temos que ter as mesmas condições que os nosso concorrentes europeus. Em Portugal o custo do financiamento é ainda exagerado e o custo da energia insustentável”.

Para ajudar a olhar “Os Têxteis Através do Atlântico”, também a associação Magellan, através de Isabel Oliveira (na foto) trouxe uma visão explicativa do CETA e das possibilidades do TTIP, enquanto  Helena Gonçalves, do Millennium BCP – com quem a ATP tem parceria – expôs os instrumentos de prevenção de riscos e apoio às exportações.

 

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