29 maio 26
Eventos

Bebiana Rocha

“O farol é o mercado”: be@t encerra com foco na industrialização e no futuro

O CITEVE apresentou ontem, no Terminal de Cruzeiros do Porto de Leixões, os resultados do projeto be@t. A sessão de abertura contou com intervenções de António Amorim, presidente do CITEVE, Helena Canhão, secretária de Estado da Ciência e da Inovação, e Pedro Dominguinhos, da Comissão de Acompanhamento do PRR, que destacaram a dimensão do projeto, a relevância da bioeconomia e a importância de criar pontes entre o conhecimento, o desenvolvimento e a introdução no mercado. Uma dinâmica que, sublinharam, contribui para uma economia mais forte e para um país melhor.

No seu discurso, Helena Canhão referiu que está atualmente em discussão na Europa um novo programa-quadro, estreitamente ligado ao Horizonte Europa. A governante abordou ainda a revisão da Lei da Ciência, defendendo que “pretendemos cada vez mais ter no país estruturas como o CITEVE, que agregam pessoas e promovem a inovação”. A secretária de Estado manifestou também o desejo de que o trabalho desenvolvido no âmbito do be@t não termine com o encerramento formal do projeto, considerando que o ecossistema criado “tem um futuro promissor”.

Por sua vez, Pedro Dominguinhos elogiou a ambição do consórcio e a capacidade de “sonhar”, que permitiu alcançar novos produtos e novas simbioses industriais. Mostrou-se convicto de que os resultados se irão traduzir em vendas, lembrando que esse é “o principal biocombustível” deste tipo de projetos. O representante da Comissão de Acompanhamento do PRR reforçou ainda que a orientação para o mercado é essencial nas agendas mobilizadoras: “o farol é o mercado”. Destacou igualmente o valor do trabalho colaborativo, afirmando que “aquilo que alcançamos em conjunto é maior”.

Pedro Dominguinhos deixou o evento confiante no futuro do país, sublinhando a competência da juventude envolvida nestes projetos. Pediu, no entanto, ao setor que comunique mais aquilo que faz. Na reta final da sua intervenção, referiu ainda o novo Quadro Financeiro Plurianual, alertando para as mudanças que se avizinham: “é preciso atuar em escala para chegar aos fundos”.

Ainda no enquadramento da sessão de abertura, António Braz Costa, diretor-geral do CITEVE, explicou a génese, o percurso e as perspetivas futuras do be@t. Começou por recordar uma data simbólica: 20 de junho de 2020, o dia em que nasceu o conceito do projeto. Mais de mil dias depois, os resultados são agora apresentados.

Segundo o responsável, o projeto foi desenhado a partir da experiência diária, do contacto com as empresas, das orientações do Green Deal e da política pública. O objetivo era antecipar o futuro – e, na sua perspetiva, isso foi conseguido. Como exemplo, apontou a etiqueta do futuro prevista no âmbito do projeto, que entretanto avançou com outra designação: o Passaporte Digital de Produto.

“Em boa hora iniciámos esta dinâmica. Sempre fomos adeptos dos grandes consórcios. Com mais gente é possível atingir melhores resultados. Ir até à industrialização piloto era o objetivo”, afirmou.

António Braz Costa salientou ainda que este foi o maior projeto alguma vez abraçado pelo CITEVE, tendo igualmente contribuído para o rejuvenescimento da estrutura do Centro. “Hoje somos um peão de xadrez, com gente para o futuro”, afirmou.

Ao falar do futuro, citou uma colaboradora que, numa reunião sobre o encerramento dos projetos, comentou: “vamos continuar a trabalhar para salvar o mundo”. Para apoiar esse caminho, defendeu políticas públicas que olhem para o sistema científico de forma “seamless”. O objetivo mantém-se claro: continuar a liderar a inovação, porque “candeia que vai à frente alumia duas vezes”. O próximo passo passa agora por alargar o be@t a todo o ecossistema.

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