Bebiana Rocha
“O sector da defesa ainda tem uma expressão reduzida no Norte, mas pode crescer.” Foi este o desafio lançado por Álvaro Santos, presidente da Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional do Norte, aos participantes no evento Impulse 2026, dinamizado pela Fibrenamics na passada semana, no Fórum Braga.
O responsável começou por elogiar o trabalho da Fibrenamics e a sua capacidade de ligar as empresas ao sistema científico. “Vivemos um momento relevante. As dinâmicas geopolíticas alteraram-se. O reforço europeu para a autonomia está a redefinir estratégias”, afirmou, apontando a defesa como uma área imperativa para a soberania tecnológica e para a resiliência industrial de Portugal e da Europa. “O Impulse interpreta tendências, aproxima atores e ajuda o tecido empresarial a perceber como se posicionar”, acrescentou.
Álvaro Santos sublinhou ainda que as empresas do Norte são exportadoras e competitivas por natureza em diferentes áreas, destacando que as suas competências podem evoluir ao nível dos materiais funcionais, dos têxteis inteligentes, entre outras valências. “A diversificação industrial é uma oportunidade”, referiu, dando como exemplo o sector automóvel, que enfrenta inúmeras novas possibilidades de crescimento.
Reconheceu, contudo, que o caminho nem sempre é simples. “Exige escala, exige persistência”, afirmou, mas insistiu na existência de oportunidades de integração em cadeias de valor altamente qualificadas na Europa. Defendeu também que o emprego deve acompanhar este processo de qualificação.
“O Norte 2030 continua a apoiar as empresas. Mas os fundos, por si só, não chegam. São precisas redes, é preciso ambição”, rematou. Recordando uma vez mais que o reforço das capacidades europeias trará benefícios transversais tanto para a área da defesa como para a esfera civil, reforçou: “Quando falamos de inovação, falamos de dual use e de novas oportunidades”, concluindo assim em linha com o discurso de Raúl Fangueiro, presidente da Fibrenamics.
Também João Machado, diretor municipal de Desenvolvimento Económico, Turismo e Sustentabilidade da Câmara Municipal de Braga, participou nas rondas de abertura, apelando a uma maior articulação entre os diferentes atores. “Temos de comunicar mais e, depois, fazer, evitando repetir trabalho. Temos de alavancar produtos finais. Não é a competir que ganhamos escala, mas sim a trabalhar em conjunto. Braga tem uma infraestrutura que pode ser aproveitada”, destacou.