25 maio 26
Eventos

Bebiana Rocha

Norte tem margem para crescer na indústria da defesa, defende Álvaro Santos

“O sector da defesa ainda tem uma expressão reduzida no Norte, mas pode crescer.” Foi este o desafio lançado por Álvaro Santos, presidente da Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional do Norte, aos participantes no evento Impulse 2026, dinamizado pela Fibrenamics na passada semana, no Fórum Braga.

O responsável começou por elogiar o trabalho da Fibrenamics e a sua capacidade de ligar as empresas ao sistema científico. “Vivemos um momento relevante. As dinâmicas geopolíticas alteraram-se. O reforço europeu para a autonomia está a redefinir estratégias”, afirmou, apontando a defesa como uma área imperativa para a soberania tecnológica e para a resiliência industrial de Portugal e da Europa. “O Impulse interpreta tendências, aproxima atores e ajuda o tecido empresarial a perceber como se posicionar”, acrescentou.

Álvaro Santos sublinhou ainda que as empresas do Norte são exportadoras e competitivas por natureza em diferentes áreas, destacando que as suas competências podem evoluir ao nível dos materiais funcionais, dos têxteis inteligentes, entre outras valências. “A diversificação industrial é uma oportunidade”, referiu, dando como exemplo o sector automóvel, que enfrenta inúmeras novas possibilidades de crescimento.

Reconheceu, contudo, que o caminho nem sempre é simples. “Exige escala, exige persistência”, afirmou, mas insistiu na existência de oportunidades de integração em cadeias de valor altamente qualificadas na Europa. Defendeu também que o emprego deve acompanhar este processo de qualificação.

“O Norte 2030 continua a apoiar as empresas. Mas os fundos, por si só, não chegam. São precisas redes, é preciso ambição”, rematou. Recordando uma vez mais que o reforço das capacidades europeias trará benefícios transversais tanto para a área da defesa como para a esfera civil, reforçou: “Quando falamos de inovação, falamos de dual use e de novas oportunidades”, concluindo assim em linha com o discurso de Raúl Fangueiro, presidente da Fibrenamics.

Também João Machado, diretor municipal de Desenvolvimento Económico, Turismo e Sustentabilidade da Câmara Municipal de Braga, participou nas rondas de abertura, apelando a uma maior articulação entre os diferentes atores. “Temos de comunicar mais e, depois, fazer, evitando repetir trabalho. Temos de alavancar produtos finais. Não é a competir que ganhamos escala, mas sim a trabalhar em conjunto. Braga tem uma infraestrutura que pode ser aproveitada”, destacou.

Partilhar