06 maio 26
Inovação

Bebiana Rocha

NIT Textile identifica as tendências que vão moldar o futuro da indústria têxtil

Apesar do contexto desafiante, são várias as forças que estão a redesenhar o futuro da indústria têxtil e vestuário global. A NIT Textile, spinoff da Universidade do Minho, enumera-as numa newsletter dedicada, como resulta da sua visita à Techtextil 2026. Inteligência Artificial, materiais biobased e fibras naturais de alta performance, têxteis técnicos de alta performance e inovação colaborativa foram os quatro eixos principais identificados pela spinoff dedicada à investigação e inovação sustentável.

Em cada uma destas vertentes, foram destacados exemplos concretos. No domínio da inteligência artificial, já aplicada à produção, a Style3D | Assyst apresentou “uma plataforma de IA que integra desenvolvimento de produto, design e marketing numa única solução”. Por sua vez, a Dürkopp Adler revelou um “novo sistema de costura com interfaces inteligentes, permitindo uma integração simplificada com outros equipamentos e sistemas de gestão da produção”.

Na área dos materiais biobased e fibras naturais de alta performance, a Cordenka apresentou “fibras de viscose técnica para o sector da agricultura, capazes de serem compostadas em conjunto com resíduos vegetais”. Já a Ocean Safe mostrou um “polímero de alto desempenho produzido a partir de matérias-primas biobased e recicladas”, já escalável para utilização industrial.

No segmento dos têxteis técnicos de alta performance, associado ao crescimento do Performance Apparel Textiles, a NIT destacou a Concordia Textiles, que apresentou um “tecido durável com proteção permanente contra chamas, sem tratamentos químicos”. Também a Klopman International e a Sioen reforçaram as suas gamas de têxteis destinados à proteção industrial e militar.

Por fim, a Samsara Eco surge associada à inovação colaborativa, com uma tecnologia de reciclagem enzimática. Juliana Cruz, CEO da NIT, comenta ao T Jornal que a indústria não necessita necessariamente de inovações disruptivas: a inovação pode assumir diferentes níveis, sendo essencial que chegue ao mercado. Esta consciência esteve muito visível na edição deste ano da feira.

Ainda no plano da colaboração, a responsável sublinha uma maior ligação entre empresas, centros de investigação e centros tecnológicos. Foi precisamente com esse propósito que a NIT Textile participou na feira, no sentido de servir de ponte.

“A participação da NIT na Techtextil 2026 foi uma aprendizagem”, da qual resultaram um “mapeamento das principais tendências tecnológicas e de materiais, a identificação de potenciais parceiros tecnológicos e fornecedores inovadores, o conhecimento atualizado sobre o quadro regulatório europeu e as suas implicações para o sector, e insights sobre os segmentos de mercado com maior potencial de crescimento”.

Neste último ponto, Juliana Cruz destaca sobretudo a área da segurança, de forma geral, e em particular o sector militar, que esteve “francamente expressivo”. Destaca ainda os materiais técnicos, com novos materiais de alto desempenho a captar particular atenção.

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