Bebiana Rocha
Depois de vários anos de crescimento e desenvolvimento em Portugal, a Nautikay prepara a sua primeira incursão nos mercados internacionais. Especializada num nicho muito específico ligado à canoagem, a empresa escolheu Espanha como primeiro mercado-alvo, onde identifica um elevado potencial de crescimento e pretende replicar a proximidade aos clubes e atletas que tem marcado a sua trajetória em Portugal.
“Espanha é atualmente um dos mercados onde estamos a reforçar a nossa presença. Queremos crescer mantendo a proximidade com os clubes, a capacidade de adaptação, desenvolvimento técnico e padrões de qualidade elevados”, afirma Miguel Fernandes, fundador da Nautikay, ao T Jornal.
Mais do que uma estratégia assente no crescimento em volume, a Nautikay quer replicar além-fronteiras o modelo que tem seguido em Portugal: estar próxima de quem pratica a modalidade e usar essa relação como fonte de informação para melhorar continuamente os seus produtos. “O feedback dos atletas tem sido uma ferramenta importante no nosso desenvolvimento. São opiniões recolhidas ao longo do tempo, em diferentes condições e níveis de utilização, que nos ajudam a perceber onde podemos melhorar”, explica.
A exigência própria da canoagem condiciona também a escolha dos materiais. Água, suor, exposição solar, movimentos repetitivos, muitas horas de treino e ciclos sucessivos de utilização e lavagem obrigam a que as peças combinem secagem rápida, leveza, respirabilidade, elasticidade e durabilidade. “Um dos aspetos que analisamos é o comportamento dos materiais depois de uma utilização intensiva”, sublinha Miguel Fernandes.
É precisamente neste contacto com a realidade dos atletas que a marca tem construído o seu posicionamento. Em Portugal, a Nautikay equipa já praticamente todos os clubes e conquistou uma preferência que, segundo a empresa, se estende tanto a atletas federados como a praticantes em iniciação. “A marca tem reconhecimento informal. Preferem-nos para treinar”, afirma.
Um dos exemplos está nos calções de lycra 70, desenvolvidos para acompanhar os movimentos específicos realizados dentro do barco. “Deslizam muito bem no barco, acompanhando a rotação do tronco, o que melhora a performance e o conforto do atleta. Se o calção não deslizar faz ferida, porque a rotação causa fricção violenta. Em atletas que treinam três vezes ao dia e podem fazer mais de 100 quilómetros, estes detalhes são importantes”, exemplifica.
A procura por soluções que conciliem proteção e liberdade de movimentos estende-se também ao conforto térmico. A Nautikay tem trabalhado em sistemas de camadas finas que permitam manter a temperatura corporal sem comprometer a mobilidade e, ao mesmo tempo, assegurem uma secagem rápida.
“O neoprene não é tão térmico como a lã. Por outro lado a lã absorve água e cria peso, enquanto o neoprene, pela pouca água que deixa entrar, permite manter o corpo aquecido, com a desvantagem de prender movimentos. Procuramos arranjar alternativas que permitam conforto térmico aos atletas e liberdade de movimentos, por exemplo, com soluções corta-vento”, explica.
“A Nautikay tem trazido à modalidade conforto e performance com a sua incessante procura pelos melhores materiais”, assegura Miguel Fernandes.
Depois de consolidar a presença nacional – com o reconhecimento do trabalho desenvolvido também por parte da Federação e do Comité Olímpico -, o objetivo passa por escalar o negócio. A meta é chegar, idealmente no espaço de dois anos, aos 30 mil clientes. Embora não exista uma estatística europeia consolidada sobre o número total de atletas federados de canoagem, Miguel Fernandes estima que esse universo ultrapasse os 80 mil. A longo prazo, a empresa pretende aproximar-se dessa dimensão de mercado, através de um crescimento sustentado.
A escolha de Espanha como primeiro mercado prioritário resulta da dimensão que a modalidade assume no país. “Espanha é o país onde existe um maior número de atletas federados”, justifica Miguel Fernandes. França surge também no radar da empresa, pelo elevado número de clubes e pelo potencial que representa.
A estratégia de internacionalização deverá manter a fórmula utilizada em Portugal: uma forte presença física nos principais eventos da modalidade, complementada pela componente digital. A Nautikay já iniciou contactos com alguns dos principais clubes espanhóis e, segundo Miguel Fernandes, tem encontrado “predisposição” do mercado, o que reforça o otimismo da empresa em relação a esta primeira etapa.
A internacionalização passa, contudo, por outras geografias. No dia 21 de setembro, a empresa tem já um convite do IAPMEI para participar, juntamente com outros players, num evento na Irlanda dedicado ao desporto náutico. Para Miguel Fernandes, o encontro representa mais uma oportunidade para apresentar a Nautikay e perceber o potencial de novos mercados.
O objetivo é, assim, crescer sem perder a proximidade que esteve na base da afirmação da marca em Portugal. A experiência acumulada junto dos clubes e atletas deverá servir de ponto de partida para uma nova fase.