Bebiana Rocha
A Mundotêxtil prepara para 2026 um projeto de inteligência artificial interativa aplicada às áreas de desenho e produção. A informação foi avançada por Ana Vaz Pinheiro, administradora da empresa, ao T Jornal, à margem da última edição da Heimtextil, sem dar mais detalhes. O ano será, por isso, marcado por investimentos e novidades, depois de um 2025 exigente, mas com resultados positivos.
“Registámos um aumento da faturação na ordem dos 12%. Tivemos boas margens, apesar da imprevisibilidade. O Canadá cresceu imenso connosco este ano. Em 2026 mantemo-nos fiéis à estratégia de consolidação”, afirma a responsável.
Na feira alemã, a Mundotêxtil apresentou novas técnicas, tecnologias e acabamentos, com uma aposta clara nos materiais reciclados. Mais de metade dos artigos da coleção incorporavam desperdícios internos, incluindo soluções em linho reciclado, misturas de algodão virgem com algodão reciclado e um novo fio com algodão egípcio.
Ana Vaz Pinheiro faz ainda um balanço positivo da participação na Heimtextil, descrevendo uma edição mexida, com a presença de clientes habituais e novos contactos. “Tentámos trazer uma coleção harmonizada, que abrangesse vários países”, resume, acrescentando que o feedback foi “muito bom”.
Relativamente a temas de atualidade, como o Acordo Mercosul, a administradora considera que os seus efeitos só deverão sentir-se no negócio dentro de dois anos, mas antevê oportunidades, em particular no mercado brasileiro. “Estamos a ter várias reuniões com brasileiros, é uma oportunidade”, confirma.
Quanto aos Estados Unidos e à questão das tarifas, Ana Vaz Pinheiro reconhece que estão a provocar movimentos estratégicos por parte da Europa, no sentido de diversificar parcerias. Ainda assim, sublinha que, “no final do dia, o mercado americano continua a ser mais apetecível” do que os mercados associados a outros acordos.