02 julho 26
Formação

Bebiana Rocha

MODATEX assinala 15 anos com atividade multiplicada

O MODATEX assinalou ontem 15 anos de atividade, reunindo, no Porto, os principais parceiros que acompanharam o percurso do centro protocolar de formação. A cerimónia contou com intervenções de João Costa, vogal do Conselho de Administração, José Pedro Machado, presidente do Conselho de Administração, e Luz Pessoa e Costa, diretora do Departamento de Formação Profissional do IEFP.

Na sua intervenção, João Costa, em representação da ATP – Associação Têxtil e Vestuário de Portugal, traçou uma retrospetiva da evolução do centro, recordando que o MODATEX nasceu, em 2011, da fusão de três centros de formação profissional: o CITEX, o CIVEC e o CILAN (nascidos nos anos 80). O acordo que deu origem ao novo centro protocolar foi subscrito pelo IEFP e pelas associações setoriais ATP, ANIL e ANIVEC.

Quinze anos depois, os resultados traduzem, segundo o responsável, o sucesso da reorganização. Antes da fusão, os três centros empregavam, no conjunto, 160 trabalhadores. Atualmente, o MODATEX conta com 98 colaboradores, registando, em simultâneo, um crescimento muito expressivo da sua atividade.

Os números ilustram essa evolução. Em 2011 realizaram-se 338 ações de formação, enquanto em 2024 esse número atingiu as 1.501 ações. Em 2025 foram promovidas 1.262 ações. Também o número de formandos aumentou significativamente: dos 3.926 registados em 2011 passou para 24.960 em 2024 e 21.851 em 2025.

A mesma tendência verifica-se no volume de formação. Em 2011 contabilizavam-se 228.100 horas de formação, valor que ascendeu a 1,658 milhões de horas em 2024 e a 1,530 milhões em 2025.

Em declarações ao T Jornal, João Costa considera que a reforma foi “útil”, permitindo criar “uma oferta formativa muito mais alargada e diversificada”. Explica ainda que a formação é hoje desenvolvida, em grande medida, diretamente nas empresas, ao contrário do que acontecia há algumas décadas.

Atualmente, o MODATEX tem sede no Porto e delegações em Lisboa, Covilhã, Barcelos e Vila das Aves, encontrando-se ainda em desenvolvimento uma unidade em Guimarães.

“A fusão permitiu criar novas sinergias numa simbiose potenciadora dos resultados, com melhor utilização dos recursos disponíveis”, afirmou durante a cerimónia. Para o responsável, a adaptação permanente às mudanças da indústria têxtil e vestuário e às exigências dos mercados continua a ser determinante.

“Há importantes desafios em marcha que apelam à nossa capacidade de adaptação: a digitalização crescente, a automatização para utilização da Inteligência Artificial em muitos processos e a importância da sustentabilidade e da circularidade. O sucesso alcançado resultou do esforço e da cooperação de todos os trabalhadores do MODATEX, das associações parceiras e do IEFP. Quem foi capaz de concretizar, com sucesso, as transformações destes 15 anos será igualmente capaz de enfrentar e vencer os desafios do futuro. É isso que o setor têxtil e vestuário, as empresas e o país esperam de nós.”

Equipa Modatex 15 anos porto comemorações 960

Em entrevista ao T Jornal, João Costa defende que, perante a velocidade das mudanças tecnológicas e das exigências do mercado, “são necessárias ações de formação contínuas”.

“Ninguém está preparado para sempre, porque há mudanças muito relevantes provocadas pelas exigências do mercado e pelo desenvolvimento das condições tecnológicas, que exigem atualização e aquisição de novas competências”, afirma.

Nesse sentido, considera que a estratégia de futuro do MODATEX deve passar por responder, de forma permanente, às necessidades das empresas.

“O centro tem de ser um centro vivo. Permanentemente em contacto com a realidade empresarial, com as condições do mercado de trabalho, com o desenvolvimento tecnológico e com as inovações.”

Para ilustrar esta necessidade de atualização constante, recorreu a uma comparação com o desporto: “É como treinar uma equipa de futebol. É preciso fazer treinos [formações] frequentes, é preciso que as pessoas contactem com as novas tecnologias e sejam desafiadas na sua criatividade. Há poucos setores com o nível de mudança do têxtil.”

Também José Pedro Machado destacou o percurso do MODATEX ao longo destes 15 anos, sublinhando o prestígio alcançado pelo centro a nível nacional e a sua capacidade para responder aos grandes desafios que se colocam ao setor, nomeadamente nas áreas da transição digital, da sustentabilidade e da transição demográfica.

“Conseguimos sempre responder a esses desafios e tornar o MODATEX um agente próximo das associações e das empresas, graças a um diálogo muito próximo com todas as partes”, afirmou.

O presidente do Conselho de Administração salientou ainda a dupla missão da instituição: qualificar profissionais que já trabalham na indústria e formar novos recursos humanos para integrar o setor, destacando a aposta crescente na oferta de formação de nível 5.

Por sua vez, Luz Pessoa e Costa classificou o MODATEX como “um centro protocolar de excelência”, resultado do trabalho desenvolvido pela direção, pelos colaboradores, pelas empresas e pelas associações parceiras.

A responsável do IEFP manifestou o desejo de que o centro continue a afirmar-se, não apenas no panorama nacional, mas também, sempre que possível, a nível internacional. Referiu ainda a importância de reforçar a autonomia do MODATEX, nomeadamente ao nível orçamental, defendendo, contudo, que esse reforço deve continuar a assentar num trabalho de cooperação entre todas as entidades envolvidas, em benefício das pessoas, do emprego e das empresas.

Partilhar