Raposo Antunes
O ministro da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior, Manuel Heitor, fez na manhã desta sexta-feira um apelo às empresas da indústria têxtil e de vestuário (ITV) para apostarem sempre na inovação, mesmo sabendo que experimentar tem sempre riscos (económicos e outros).
Falando na abertura dos trabalhos do último dia do iTechStyle Summit, uma organização do CITEVE em parceria com a Selectiva Moda que encerra hoje ao final da tarde no Terminal de Cruzeiros de Leixões, o responsável governamental lançou esse repto, mas ao mesmo tempo deixou a promessa de que o Estado deverá colaborar na partilha desses riscos, o que, de alguma forma, o próprio CITEVE, que organiza esta conferência internacional, já faz.
“Chamo a atenção das empresas para a necessidade de estarem sempre a inovar. É preciso experimentar apesar dos riscos, mas obviamente que o objectivo das empresas terá também de ser ganhar dinheiro com a venda dos seus produtos”, afirmou Manuel Heitor.
Considerando “obsoleta” a dicotomia universidades/empresas, o ministro que tutela o Ensino Superior falou também da necessidade de acabar com essa dicotomia, estabelecendo-se uma maior “ligação entre esses dois pólos”, o que já está a ser feito através de uma maior diversificação do ensino superior, mas também com a criação dos politécnicos, instituições que desenvolvem já uma vasta actividade na área da investigação.
Mas a aposta na inovação e desenvolvimento de novos produtos, não foi o único apelo que Manuel Heitor fez à ITV portuguesa. O ministro da Ciência e Tecnologia quer também que esses novos produtos e novos processos para os produzir conduzam a uma redução dos consumos de água e de energia. “São necessários têxteis com uma pegada ecológica mais reduzida”, frisou.
Este membro do Governo de António Costa lançou ainda um terceiro repto à ITV, desafiando-a a pensar nos grandes desafios e nas linhas orientadoras que devem ser colocadas no programa 2020/2030, ou, por outras palavras, no próximo quadro comunitário de apoio. E, como ponto de partida, lembrou que para Portugal chegar aos valores médios europeus, as empresas portuguesas têm que multiplicar por quatro a sua despesa em inovação e desenvolvimento (I&D).
Reconhecendo e elogiando o trabalho feito pelo CITEVE nesta área da I&D, Manuel Heitor fez uma espécie de resenha do que já é o futuro dos têxteis, designadamente na sua utilização nas indústrias automóvel e aeronáutica, mas também todo um novo espectro de utilizações dos têxteis que se abre com as nanopartículas, a activação química, a activação electrónica e a activação mecânica. E em tudo isto pode combinar-se “a segurança com aspectos estéticos”.
Deu também um exemplo do que poderia ser uma aposta da ITV, designadamente a confecção de vestuário que vá ao encontro de uma população cada vez mais envelhecida. Vestuário esse que pode monitorizar não só questões ligadas à saúde, mas também de segurança das pessoas que o venham a utilizar.
Manuel Heitor não deixou de explicar a sua presença nesta conferência, dizendo que estava no iTechStyle para “mostrar o seu empenho e reconhecimento a um sector que o merece”. “Fiz uma análise ao programa desta conferência e conclui que era impossível ela ser feita há 10 anos atrás”, sublinhou, deixando mais um elogio ao organizador deste evento, o CITEVE, mas também ao desenvolvimento empresarial ocorrido nesta última década.
“É um história de sucesso da qual devemos tirar lições para o futuro e para os desafios desse futuro”, frisou. Até porque, disse, “mesmo no futuro não vamos deixar de usar roupas e de usar têxteis, independentemente dos materiais com que venham a ser feitos”.
Antes, o director-geral do CITEVE, Braz Costa, manifestou a sua felicidade por ter na conferência pela primeira vez um responsável governamental que tutela a Ciência em Portugal. Numa espécie de agenda do sector, Braz Costa lembrou que a ITV hoje já não vende trabalho ao minuto (“isso era o tempo da escravidão”), mas sim “produtos e serviços”.
Explicou também que este iTechStyle Summit é paradigmático da evolução registada na ITV. “Não houve, como no ano passado, comunicações paralelas de investigadores e empresários, isto porque tanto os próprios empresários como os investigadores quiseram ouvir-se mutuamente”, explicou. E o programa da tarde desta sexta-feira é exemplar sobre esse ponto de vista, já que está em debate a Indústria 4.0. Os trabalhos serão encerrados pela secretária de Estado da Indústria, Ana Lehmann.