Bebiana Rocha
A União Europeia tem intensificado os seus esforços para reforçar a segurança e a defesa no continente, o que tem levado a que o tema da defesa seja, neste momento, uma questão estrutural e de elevado interesse para o país e para as empresas. Nesse sentido, a Associação Empresarial do Minho organizou, no passado dia 27 de março, um evento em Barcelos, onde reuniu o Ministério da Defesa, representado por Nuno Melo e Álvaro Castelo Branco, e o IdD, representado por Ricardo Pinheiro Alves.
Foi feita uma apresentação aos associados presentes sobre as linhas de financiamento disponíveis, além de um enquadramento dos investimentos nas últimas décadas. Nuno Melo falou igualmente das oportunidades disponíveis através dos concursos públicos e deu a entender que a defesa está à procura de novas tecnologias em várias dimensões.
O setor têxtil pode contribuir com fardamento, lonas e camuflados para mochilas, tendas e outros produtos que são frequentemente requisitados. “Este tema é estratégico para a indústria do Minho, representando oportunidades muito interessantes para as empresas que podem redirecionar as suas atividades para dar respostas concretas às necessidades da defesa”, disse Ramiro Brito, presidente da AE Minho, sublinhando a importância da cooperação para entrar no mercado de forma estruturada e competitiva.
No podcast ‘Negócios à Lupa’, é dada continuidade ao tema, com outras declarações de Ramiro Brito, que explora a importância de termos uma estratégia de defesa também no mundo digital, onde surgem novos perigos, e com uma entrevista a Vítor Abreu, CEO da Endutex.
A empresa especializada em revestimentos têxteis segue uma estratégia de diversificação, tendo já o potencial e o know-how instalados para trabalhar na área da defesa. O vestuário de proteção impermeável, por exemplo, pode ser facilmente adaptado para a defesa.
“Temos um laboratório preparado para fazer a nossa investigação interna. Tão importante quanto fazer é perceber o que o cliente quer. Se tivermos acesso ao potencial utilizador e decisor, os nossos tiros são mais certeiros”, diz, elogiando de seguida a postura do atual Ministério, que se tem mostrado aberto à indústria.
Na Endutex, escolhem-se as melhores matérias-primas e os melhores processos produtivos. “O têxtil é um mundo”, relembra, sendo o principal desafio para as empresas ainda não estabelecidas na área provar que são de confiança. “O cliente nacional é de uma diferença extrema. Se dissermos a um cliente que temos determinado material mas não vendemos a ninguém, é totalmente diferente de dizermos que já vendemos à indústria da defesa portuguesa.”