21 Abril 22
Moda

Bebiana Rocha

Mifri: uma nova marca de roupa inclusiva

A Mifri tem pouco mais de três meses como marca e já conquistou um nicho de mercado: pessoas com necessidades específicas de saúde. A marca bracarense cria vestuário para adulto ou criança adaptado a diferentes condições de saúde e mobilidade para facilitar a rotina de vestir.

Concebida por Elsa Soares e Ana Rito, mas feita a várias mãos, com os inputs inclusive de profissionais de saúde, a Mifri conta já com um conjunto de peças, todas made in Portugal, que respondem por exemplo a pessoas com mobilidade reduzida, que usem algália ou que precisem de roupa sem costuras.

“Começamos a pensar na marca há dois anos, foram dois anos muito necessários para fazer grupos focais, brainstorming com cuidadores, profissionais de saúde (terapeutas da fala, fisioterapeutas, enfermeiros), e perceber quais eram as necessidades vigentes, desenvolvemos protótipos e testamos todas as peças”, conta ao T Jornal Elsa Soares, co-fundadora da Mifri.

O primeiro produto a ser lançado foi uma camisola com quatro fechos, dois na zona do pescoço e mais dois nas laterais. Este artigo promete aumentar a autonomia de pessoas com mobilidade reduzida e facilitar o acesso aos cateteres, caso sejam pessoas “em tratamentos que usem cateteres venosos centrais ou periféricos”, exemplifica a também professora na Escola de Saúde do Porto.

Calças com fecho nas ancas, para permitir o acesso fácil ao botão gástrico ou a pessoas insolino dependentes; calças com fechos frontais para facilitar muda de fraldas e uso de urinol; t-shirts em pano cru para pessoas com problemas sensoriais ou que tenham saído recentemente de tratamentos de quimioterapia, são outros dos artigos já disponíveis na loja online da Mifri.

A produção é toda feita em Portugal, em pequenas confeções, com destaque para a empresa de Barcelos RTG, responsável pelo desenvolvimento dos protótipos. “Não queremos ser uma marca com grandes stocks, queremos fábricas que respeitem a impossibilidade de termos grandes mínimos”, comenta ainda Elsa Soares, alertando também para a faltam de componentes que facilitem o vestir e que sejam adequados à idade adulta: “precisamos de fechos magnéticos que não existem por exemplo”, apela.

“Quando dizemos que a Mifri é uma marca inclusiva, ela pretende mesmo ser inclusiva. A roupa aqui é para toda a gente, quem tem problemas de saúde e quem não tem. As peças da Mifri são alegres, há alias muitas pessoas sem problemas de saúde que compram as nossas roupas”, conclui Elsa Soares, rompendo com a ideia de que pessoas com necessidades específicas não podem andar igualmente dentro das tendências da moda.

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