Bebiana Rocha
O mercado mundial de tecidos de linho continua a ganhar dimensão, impulsionado pela crescente procura de têxteis sustentáveis, duráveis e de elevada qualidade. De acordo com o mais recente estudo da Persistence Market Research, o mercado global deverá atingir um valor de 18,5 mil milhões de dólares em 2026 e crescer para 30,2 mil milhões até 2033, o que representa uma taxa média de crescimento anual de 7,3%.
A indústria do vestuário mantém-se como o principal motor desta evolução, concentrando 43,3% da quota de mercado. No entanto, os têxteis-lar também estão a assumir um papel cada vez mais relevante na expansão do setor. “Os designers de interiores preferem agora o linho pesado de 250 a 380 g/m² para produtos estofados e cortinas, devido à profundidade visual, respirabilidade e resistência aos raios UV”, refere o estudo. A hotelaria acompanha esta tendência, com os resorts de luxo a recorrerem cada vez mais ao linho para proporcionar maior conforto aos hóspedes e reforçar a perceção de uma experiência premium.
Neste contexto, o linho puro deverá representar 54,3% do mercado em 2026. Ainda assim, as misturas de linho são apontadas como o segmento de crescimento mais acelerado durante o período em análise. A combinação desta fibra com algodão, viscose, liocel ou mesmo fibras recicladas permite reduzir o efeito amarrotado, melhorar a suavidade e conferir um melhor caimento aos tecidos.
A Europa continua a liderar o mercado mundial de tecidos de linho, concentrando cerca de 39,8% da quota global em 2026. França mantém-se como o país de maior destaque nesta fibra, enquanto a Bélgica deverá representar aproximadamente 22,4% do mercado europeu, graças à sua forte especialização na tecelagem, acabamento e produção de tecidos de linho de elevada qualidade.
A região Ásia-Pacífico surge na segunda posição, com uma participação global de 27,6%. A China deverá manter a liderança regional por ser o maior centro mundial de processamento desta fibra, enquanto a Índia representará cerca de 29,3% do mercado, afirmando-se como um importante polo de produção. Segundo o relatório, o Leste e o Sul da Ásia reúnem condições para registar um dos crescimentos mais rápidos até 2033, impulsionados pelo aumento do rendimento disponível, pela expansão da capacidade produtiva da indústria têxtil e vestuário e pelo crescimento das exportações.
Também a América Latina, o Médio Oriente e África deverão apresentar uma evolução positiva ao longo do período analisado. Já a América do Norte concentrará cerca de 24,3% do mercado global, sendo que os Estados Unidos representarão aproximadamente 54,2% da quota regional em 2026. “Prevê-se que os EUA mantenham a posição como um dos principais consumidores de produtos de linho importados. Os principais retalhistas de moda expandiram as suas coleções sazonais de linho, enquanto as marcas de mobiliário e roupa de cama continuam a lançar produtos à base de linho para responder à procura por materiais naturais”, destaca o estudo.
A Persistence Market Research conclui que o mercado dos tecidos de linho oferece oportunidades significativas às empresas que apostem na inovação e na sustentabilidade. A crescente utilização desta fibra na moda de luxo, na decoração de interiores de gama alta e no setor hoteleiro abre novas perspetivas de crescimento. Mais do que aumentar a capacidade produtiva, o estudo defende que os fabricantes deverão apostar na diferenciação através da rastreabilidade e das certificações, fatores cada vez mais valorizados pelos compradores.