Bebiana Rocha
O projeto GIATEX está a chegar ao fim e o CITEVE apresentou ontem na Fábrica de Santo Tyrso os resultados deste consórcio, que reuniu 27 parceiros, entre os quais 12 empresas do setor têxtil. Ana Gonçalves, gestora do projeto, divulgou os principais indicadores, destacando-se o número de pilotos desenvolvidos: foram concretizados 15, dos quais cinco encontram-se em fase final, superando os 12 inicialmente previstos. Entre os resultados alcançados, sobressai ainda a concretização da meta de redução de 40% no consumo de água.
Ao longo do projeto, foram realizadas 50 conferências, 12 ações de sensibilização dirigidas à comunidade e assegurada a divulgação em 20 feiras internacionais.
Durante a apresentação, Ana Gonçalves fez uma exposição detalhada de cada PPS (Product and Process Solutions), enquadrando o trabalho desenvolvido nas três principais linhas de investigação: monitorização, desenvolvimento de novas tecnologias de enobrecimento têxtil e inovação no tratamento de efluentes.
O primeiro PPS incidiu sobre um serviço de consultoria em boas práticas, que inclui a caracterização dos processos, análise de fluxos e identificação de oportunidades de melhoria. Neste âmbito, foi apurado que a média de consumo de água das 12 empresas envolvidas é de 107,5 litros por quilograma. A responsável do CITEVE destacou ainda a realização de uma caracterização exaustiva do consumo de água em cada etapa do processo, bem como a análise dos produtos químicos utilizados, com o objetivo de antecipar a composição dos efluentes gerados.
O PPS2 focou-se no desenvolvimento de novos produtos e estruturas têxteis ecofuncionais, através de duas abordagens: à escala laboratorial e à escala piloto.
Destas, 11 soluções avançaram para escala industrial, comprovando a sua viabilidade. No âmbito deste trabalho, foram também apresentados casos de estudo, nomeadamente processos de preparação a baixa temperatura, que evidenciaram uma redução de 6% na carga poluente dos efluentes, apesar de um aumento de 6% no consumo de produtos químicos e conseguiram uma diminuição de 18% no consumo energético. Foi ainda explorado o tingimento com corantes provenientes de resíduos da própria indústria têxtil, com resultados promissores ao nível da solidez e uma redução de 61% no uso de produtos químicos face aos corantes reativos convencionais.
Do GIATEX resultaram igualmente uma nova gama de corantes naturais, oito novos produtos de enobrecimento, novas estruturas têxteis e uma patente.
O PPS3 centrou-se nos processos de tratamento de efluentes, abrangendo o tratamento primário e secundário, bem como o tratamento terciário após a fase biológica. Os ensaios realizados demonstraram que é possível reutilizar entre 25% e 75% dos efluentes nos processos de tingimento, no caso de cores claras, e cerca de 25% no caso de cores escuras. Neste contexto, foram também apresentados os pilotos móveis de tratamento.
Por fim, o PPS4 dedicou-se ao desenvolvimento de uma ferramenta informativa de apoio à decisão, orientada para a monitorização, automação e digitalização de processos.
No balanço global do projeto, destacam-se ainda mais de 100 ações de disseminação e a realização de 10 ações de formação especializada.