Bebiana Rocha
O ataque dos Estados Unidos e de Israel ao Irão no fim de semana desencadeou uma nova vaga de pressões sobre as empresas do setor têxtil e vestuário, com repercussões diretas nas cadeias logísticas e nos custos de produção. A circulação no Estreito de Ormuz ficou condicionada no último dia após sucessivos ataques a navios. As forças iranianas desencorajam a navegação na região.
Várias das maiores empresas de transporte marítimo anunciaram esta segunda-feira que estão a evitar o Estreito por motivos de segurança, alterando rotas ou suspendendo trânsitos. A Maersk, por exemplo, decidiu suspender o trânsito pelo próprio Estreito e também pelo Canal de Suez.
Em declarações ao T Jornal esta manhã, Paulo Melo, CEO da Somelos, confirmou os constrangimentos nos transportes: “A carga aérea está a ser retida e estão a ser definidas rotas alternativas, o que vai causar atrasos nas entregas. Já havia instabilidade, mas com este conflito agudizou-se.” Para além da logística, Paulo Melo destaca ainda o impacto no preço do gás natural, que pesa fortemente nos custos operacionais e prejudica a competitividade das empresas.
Vítor Fernandes, CEO da TMG Textiles, sublinha o efeito imediato do choque nos preços do gás natural – que, segundo dados europeus, dispararam em consequência da crise energética associada ao conflito – e recorda que esse aumento incide sobretudo nos processos de acabamentos têxteis, energeticamente intensivos.
Também no universo dos têxteis-lar há impactos a registar. A JF Almeida demonstra preocupação com a subida contínua dos custos de gás natural e de outras matérias-primas, realçando que qualquer dia que passa sem estabilidade se traduz em dificuldades crescentes no plano comercial. “A área logística vai complicar-se”, refere João Almeida, da administração, mencionando barcos com atraso e a necessidade de redesenhar cadeias de abastecimento.