Bebiana Rocha
A Fábrica de Tecidos Marizé voltou a apostar, este ano, em produtos diferenciadores para apresentar na principal feira internacional de têxteis-lar. Para a Heimtextil 2026, a empresa levou propostas para cama com construções de fio mais refinadas, Nm’s mais finos e um toque polido, destacando-se ainda pelo trabalho cromático, com diferentes shades da mesma cor integrados num único produto.
A oferta inclui também uma aposta clara em processos mais sustentáveis, nomeadamente em tingimentos com corantes naturais e na utilização de águas recicladas. Ainda assim, o verdadeiro core da empresa continua a ser o jacquard, com desenhos elaborados e elevado valor artístico – precisamente os produtos que têm captado a atenção dos visitantes e levado os clientes a parar no stand.
Em declarações ao T Jornal, Davide Ribeiro refere que a casa esteve “bem ocupada” logo no primeiro dia da feira, sobretudo durante a manhã, com várias reuniões agendadas. Quanto à mudança de pavilhão, o chief commercial officer sublinha que, apesar de se tratar de um espaço mais pequeno, a localização está a funcionar bem, com corredores suficientemente largos para convidar à circulação dos visitantes.
O ano de 2025 foi positivo para a Marizé. Apesar das incertezas que continuam a marcar os mercados, os resultados ficaram em linha com os de 2024, que tinha sido o melhor ano de sempre em termos de desempenho. Este sucesso resulta, segundo a empresa, de um reforço da área comercial e de uma aposta contínua em produtos cada vez mais diferenciados.
Com exportações para vários mercados internacionais, e uma forte presença na América do Norte, Canadá e Europa, a Marizé encara 2026 como um ano de consolidação e de conquista de maior quota de mercado, com especial foco em geografias como a Ásia, a Austrália e a África do Sul.
Ao nível dos projetos internos, a prioridade passa pela reformulação do showroom, com o objetivo de o tornar mais atual e melhor ajustado ao crescente número de visitas de clientes à empresa.
Questionado sobre a digitalização e a inteligência artificial, Davide Ribeiro revela que a Marizé já tem vindo a explorar estas áreas, sobretudo a IA na criação de cenários. Acredita que esta tecnologia será um verdadeiro ponto de viragem para o setor e defende que a indústria portuguesa deve abraçá-la para se manter competitiva face à Ásia, que já não oferece apenas preços competitivos, mas também inovação.
“Se não usarmos a IA para nos ajudar a evoluir, a nossa vida vai ser ainda mais difícil no futuro. Precisamos do lado conservador e do lado inovador. Num negócio estável há clientes para tudo. Os jacquards, por exemplo, são uma arte – se conseguimos trabalhar teias e tramas, devemos muito aos nossos antepassados”, conclui.