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Em Portugal, persiste, num quadro que se repete há décadas, “um ambiente hostil à criação de empresas e de empregos” que importa alterar com urgência, disse o presidente da Associação Têxtil e do Vestuário de Portugal, Mário Jorge Machado, na última edição do ‘Negócios da Semana’, programa da grelha da SIC Notícias apresentado por José Gomes Ferreira.
“O terreno é agreste para quem quer ser empresário”, reforçou, para explicar que é à envolvente – ou aos custos de contexto – que se devem atribuir responsabilidades. “As leis impedem a capacidade de criar riqueza”, fenómeno bizarro que, na ótica de Mário Jorge Machado, se observa mais particularmente tanto nas leis do trabalho, como nas fiscais.
“As leis laborais são desadequadas ao século XXI, são das mais rígidas que há”, não propiciando um dinamismo do emprego que se verifica em tantos outros mercados onde essa rigidez não está presente, especificou. Uma ‘guerra’ antiga entre empresários e legisladores (leia-se governos) que Mário Jorge Machado quer, de uma vez por todas, vencer.

Quanto ao quadro fiscal, o presidente da ATP regressou à necessidade imperiosa de o quadro legislativo “ser mais amigo dos investimentos” – através da criação de mecanismos de discriminação positiva que induzam o ‘desvio’ de recursos para o crescimento das empresas.
Crescimento, disse ainda, é uma necessidade premente – num contexto em que há em Portugal mais de 1,3 milhões de PME, para pouco mais de mil grandes empresas, uma décalage que, tanto em termos de capacidade de criação de riqueza e emprego como de indução das exportações, importa alterar.
Mário Jorge Machado – que se queixou ainda alguns custos de contexto, como é neste momento o elevado (elevadíssimo) custo da energia (que pode chegar aos 20% dos custos operacionais das empresas) – afirmou que não é fácil encontrar no Governo e na classe política em geral interlocutores que entendam a vontade das empresas. Com pelo menos uma exceção: “conseguimos dialogar facilmente com o ministro da Economia, Pedro Siza Vieira, que está preocupado em encontrar soluções” que viabilizem o crescimento das empresas.
Essa é uma das portas de saída do problema – que, em termos estatísticos, é sintomático: “em Portugal, são criadas anualmente cerca de 200 mil empresas; um ano depois 20% já desapareceram; e dois anos depois, desapareceram 50%”. Uma sinistralidade que nenhuma economia aguenta durante muito tempo.
A solução? Mário Jorge Machado recorreu a um exemplo inesperado e surpreendente: o dirigente chinês Deng Xiaoping, líder supremo da República Popular da China entre 1978 e 1992: “criou o ambiente propício ao investimento e ao empreendedorismo”, precisamente aquilo que falta em Portugal.
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