23 junho 26
Associativismo

Bebiana Rocha

Manifesto da IAF foca na colaboração inteligente

A International Apparel Federation (IAF) apresentou, na passada semana, um novo manifesto com o objetivo de combater as ineficiências que persistem na indústria do vestuário. Desenvolvido pelo Comité de Inovação Empresarial da federação, o documento aborda alguns dos principais desafios do setor, incluindo os custos de fabrico, os excessos de stock, os ciclos de descontos e os problemas operacionais ao longo das cadeias de abastecimento.

O manifesto enquadra a necessidade urgente de uma mudança de paradigma num contexto marcado pela crescente pressão sobre as empresas para responderem às exigências da digitalização, da sustentabilidade e dos novos modelos de negócio. Neste cenário, a IAF defende que a eficiência deve ser procurada sobretudo através de uma melhor utilização do capital.

“Numa altura em que a indústria enfrenta pressões de várias frentes, as melhorias incrementais já não são suficientes”, afirma a organização. O documento sublinha ainda que “a flexibilidade tem sido frequentemente imposta de forma desequilibrada. A capacidade de resposta ao mercado de um interveniente é alcançada através da transferência de custos, riscos e volatilidade para outros. Esta dinâmica de transferência de risco enfraqueceu a resiliência financeira dos produtores e aprisionou muitas empresas em estruturas de negócio pouco rentáveis”.

É neste contexto que a IAF propõe um novo quadro de ação, assente na transição de uma abordagem centrada na extração de preço para um modelo focado na criação de valor, substituindo a transferência unilateral de risco por uma lógica de produtividade partilhada.

“O valor na indústria do vestuário é criado ao longo de toda a cadeia de abastecimento e não apenas através do preço unitário do produto”, refere a federação, acrescentando que “a transformação do setor é, por definição, um esforço coletivo. Nenhum interveniente, isoladamente, consegue impulsionar uma mudança sistémica. Marcas, retalhistas, fabricantes, fornecedores têxteis, empresas tecnológicas e entidades financeiras controlam diferentes alavancas de impacto”.

Entre os conceitos centrais do manifesto destacam-se a “colaboração inteligente” e a “flexibilidade inteligente”, princípios que deverão orientar a transformação da indústria nos próximos anos. Para concretizar esta visão, a IAF apresenta um roadmap com metas definidas até 2030.

As posições agora defendidas resultam de um trabalho conjunto entre a IAF e o International Trade Centre (ITC), materializado no estudo “Under the Banyan Tree: Buyers and Suppliers in Fashion”, que serviu de base à elaboração do manifesto. O documento pode ser consultado na íntegra aqui.

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