Bebiana Rocha
A administradora da LMA, Alexandra Araújo, integrou esta segunda-feira (21) a mesa redonda ‘Oportunidades e Desafios da ITV’, no âmbito da primeira edição dos Estudos Sectoriais 2030. Onde usou da palavra para dizer que não existem na Europa produtores das suas matérias-primas, mais concretamente de poliéster. “Os produtores de têxteis técnicos dependem da Ásia, não queremos que existam grandes barreiras ao comércio”, exclamou.
Segundo o estudo do Gabinete de Estratégia e Estudos do Ministério da Economia, 68% dos produtos importados da ITV são de origem intracomunitária, com Espanha a assumir um peso de 35%. No entanto, países como a China, Índia, Turquia e Paquistão integram a lista dos dez principais mercados de origem das importações da ITV, representando em conjunto “cerca de 24% do total das importações, o que demonstra o grau de concentração e dependência de mercados externos à EU”.
Elucida ainda o peso dos têxteis técnicos para o total do volume de negócios têxteis na União Europeia – “o sector têxtil e vestuário é o que mais contribui para a economia europeia com um volume de negócios com 163 mil milhões de euros. Os têxteis técnicos representam cerca de 30% do total do volume de negócios sendo considerado de elevado valor acrescentado”.
A empresária vê neste estudo um grande passo: “é a primeira vez em 43 anos que estou sentada com o Governo e com as instituições públicas”, proferiu. Retomando logo de seguida que, por vezes, “os contentores de matéria-prima não chegam aqui”. Estes constrangimentos podem afetar os negócios numa altura em que “o preço conta tudo e existe uma recessão na compra”, alerta.
O momento serviu também para vincar que as empresas não precisam de tantas certificações para cumprirem com a sua responsabilidade social e ambiental: “sendo nós produtores dentro da comunidade europeia não devíamos precisar de tantas certificações. As leis do trabalho portuguesas já impõem por si o respeito pelo trabalhador e antes de haverem estes certificados a LMA já se preocupava com a sustentabilidade”, disse.
Aproveitando igualmente para se insurgir contra a ideia de que o caminho de evolução das empresas têxteis se faz através do ganho de dimensão: “É verdade que somos pequenos, que somos um jardim à beira mar, mas o ser pequeno é bom, porque nos permite decidir rápido, temos é de ser exímios para sobreviver”, disse, alternativamente.
A LMA enquanto produtora tem, nas suas palavras, sido exímia e criativa: “o desporto é uma área exigente e temos conseguido captar marcas americanas que querem ter produto made in Portugal, temos também um cliente alemão que só quer trabalhar com Portugal, o que mostra que fizemos o caminho para ultrapassar o made in Italy”, disse, lançando como ambição Portugal tornar-se a fábrica da Europa.