Bebiana Rocha
A Lenzing está a privilegiar a rentabilidade face ao crescimento dos volumes, numa estratégia que já se reflete nos resultados do primeiro semestre de 2026. O grupo austríaco alcançou um lucro líquido de 35,6 milhões de euros, mais do dobro dos 15,2 milhões registados no mesmo período de 2025, apesar de as receitas terem recuado de 1,34 para 1,27 mil milhões de euros.
A quebra da faturação resulta sobretudo da redução deliberada da produção e venda de fibras de baixa margem, a par da diminuição das receitas do negócio externo de pasta. Em sentido contrário, as medidas comerciais, o maior peso de produtos de margem mais elevada e a redução de custos contribuíram para melhorar o resultado.
O EBITDA atingiu 239,2 milhões de euros, contra 268,6 milhões no primeiro semestre do ano passado, com uma margem de 18,9%. O EBIT foi de 83,7 milhões de euros, enquanto o resultado antes de impostos subiu de 22,1 para 42,6 milhões de euros, beneficiando também de efeitos positivos na valorização cambial.
A geração de caixa acompanhou esta evolução: o cash flow das atividades operacionais aumentou para 160,4 milhões de euros e o free cash flow passou de 43,1 para 45,8 milhões de euros.
Foco nos segmentos premium
Os resultados surgem num momento de transformação do grupo, enquadrado na estratégia “Grow Nonwovens, Reset Textiles”. No negócio têxtil, a Lenzing pretende concentrar-se em fibras especiais, segmentos premium e parcerias estratégicas, reduzindo progressivamente a exposição às fibras standard.
As marcas TENCEL™, LENZING™ ECOVERO™ e VEOCEL™ mantêm-se no centro desta orientação, apoiadas por novas tecnologias e soluções de maior valor acrescentado.
Em paralelo, a empresa pretende expandir o negócio de não tecidos através da conversão de capacidades de produção de fibras têxteis para fibras destinadas a este mercado, com especial atenção às aplicações de higiene.
A mudança é acompanhada por um novo esforço de eficiência. Depois de ter alcançado mais de 200 milhões de euros de poupanças em 2025, a Lenzing prevê gerar mais 120 milhões de euros face à base de custos de 2025, com impacto total esperado até ao final de 2027.
Meta de margem EBITDA até 25%
A Lenzing terminou junho com 618 milhões de euros de liquidez e uma dívida financeira líquida de 1,36 mil milhões de euros, praticamente estável face ao final de 2025.
A médio prazo, o grupo pretende voltar a aumentar as receitas, mas com uma estrutura de negócio mais rentável. Os objetivos passam por acrescentar 150 milhões de euros ao EBITDA, alcançar uma margem EBITDA entre 20% e 25% e reduzir a alavancagem para menos de 2,5 vezes.