Bebiana Rocha
A Lectra fechou 2025 com uma faturação de 506,7 milhões de euros, registando uma ligeira queda de 2% face ao ano anterior, devido à instabilidade económica e às condições de crédito mais apertadas.
Apesar da redução de 12% nas vendas de equipamentos e licenças permanentes (receitas não recorrentes), a divisão de software foi determinante para sustentar os resultados. O crescimento de 14% nas subscrições SaaS elevou as receitas recorrentes para 380,1 milhões de euros, representando 75% do total.
A rentabilidade operacional sofreu algum impacto: o EBITDA caiu 8%, para 79,7 milhões de euros, e a margem operacional fixou-se em 15,7% (17,3% em 2024). O lucro líquido foi de 25,6 milhões de euros. A posição financeira continua sólida, com 57 milhões de euros em liquidez e uma dívida líquida de 21,3 milhões, já incluindo a aquisição da totalidade da Launchmetrics.
No plano de inovação, a Lectra mantém investimentos significativos em I&D, representando 12% das receitas, com foco na sua plataforma Valia, lançada em 2024. Esta solução pretende digitalizar os fluxos de trabalho, automatizar processos com IA e garantir total rastreabilidade na produção.
Para 2026-2028, a empresa pretende consolidar a transição para um modelo 100% SaaS, com crescimento anual esperado de 15% nas receitas por subscrição. A estratégia Lectra 4.0, lançada em 2017, visa posicionar o grupo como referência na Indústria 4.0, apoiando-se em cinco pilares: posicionamento premium, concentração nos três mercados estratégicos, integração do cliente, lançamento gradual de serviços baseados em IA e compromisso com a sustentabilidade.
Os objetivos estratégicos para o período passam por consolidar a posição da Valia, acelerar o desenvolvimento do modelo SaaS de forma rentável e reforçar a excelência operacional através da otimização de processos, sistemas de informação e recursos humanos.