Bebiana Rocha
O CITEVE está a desenvolver novas abordagens para a circularidade têxtil, que passam pela criação de fibras alternativas, transformação de produtos já existentes e valorização de resíduos através de processos inovadores. Os avanços foram apresentados esta semana por Carla Silva, investigadora da instituição, no âmbito do projeto Be@t.
“Queremos instalar capacidade produtiva em Portugal de filamentos de liocel e viscose, processar linho e cânhamo”, afirmou Carla Silva, sublinhando o potencial da indústria nacional para dar resposta a este desafio.
Entre as iniciativas em curso, destacou a transformação de peças já produzidas, retirando a cor original e aplicando novas, bem como a exploração de designs que lhes permitem regressar ao mercado. “Estas transformações são feitas com recurso a processos sustentáveis e sem comprometer as propriedades mecânicas”, assegurou.
Disse ainda que os resíduos têxteis podem dar origem a novos fios ou serem aplicados em estruturas de não-tecido para revestimentos e enchimentos. Paralelamente, o CITEVE está a apostar em soluções de triagem com recurso a braços robóticos, capazes de maximizar a separação de resíduos.
Também a higienização das peças está a ser alvo de inovação, com a utilização de ozono para evitar consumos de água e detergentes. “O processo de ozono pode ser aplicado tanto em tecidos de algodão como em misturas. Não danifica as propriedades mecânicas e é eficaz na eliminação de odores”, explicou Carla Silva.
Na vertente da funcionalização, o CITEVE está a investigar o uso de subprodutos como a lanolina, pelo seu potencial como amaciador, e do tomilho, pelas propriedades antifúngicas, além de fios revestidos com folha de oliveira e cortiça.
A apresentação decorreu no evento promovido pela Lipor no início da semana, que reuniu especialistas e entidades do setor para debater os desafios e oportunidades da reciclagem e circularidade têxtil.