24 agosto 26
Comércio Internacional

Bebiana Rocha

Jacoli vê uma Índia mais forte, mas ainda com desafios

A Índia está a preparar-se para reforçar a sua posição como um dos principais fornecedores têxteis da Europa. A eliminação das tarifas aduaneiras sobre fios e tecidos deverá colocá-la em igualdade de circunstâncias com países como o Bangladesh e o Paquistão, favorecendo uma transferência de encomendas. Ainda assim, continua a enfrentar desafios importantes ao nível da tecnologia, da qualidade dos acabamentos e do serviço ao cliente.

Esta é a principal conclusão de Jaime de Oliveira Coelho Lima, da administração da Jacoli, após a visita à Bharat Tex, a maior feira da indústria têxtil e do vestuário da Índia. A empresa portuguesa trabalha com o mercado indiano desde 2012, desenvolvendo atividades de procurement e desenvolvimento de fios, telas e tecidos, mantendo atualmente parcerias com cerca de 30 fornecedores locais.

“Acredito que, no cômputo geral, a Índia seja o grande beneficiado da eliminação das taxas aduaneiras, no que à indústria têxtil diz respeito. A eliminação das tarifas de 4% em fios e 8% em tecidos vai beneficiar os produtores indianos e criar uma situação de igualdade perante outros concorrentes diretos que já beneficiavam desta isenção, como é o caso do Bangladesh e do Paquistão. Acredito que haverá uma transferência do volume e do valor das importações destes últimos para a Índia”, afirma.

Na Bharat Tex, que este ano reuniu 1.615 expositores, Jaime Lima encontrou um setor em evolução. “Há uma melhoria clara do design de produto e da forma de o apresentar, mais em linha com o padrão ocidental”, observa. No entanto, considera que a competitividade indiana continua limitada por fatores como a tecnologia, a qualidade dos acabamentos, a comunicação com os clientes, a capacidade de apresentar soluções para problemas e o tempo de resposta no desenvolvimento de novos produtos.

“Mais do que nunca, a indústria têxtil europeia deve manter a aposta na tecnologia, com especial enfoque na inteligência artificial, seguida da automação do parque industrial, bem como na preservação da qualidade do serviço e do nearshoring”, defende, acrescentando que são precisamente estes aspetos que continuam a distinguir Portugal.

No plano produtivo, a maior oportunidade da Índia continua a ser o algodão. “A Índia é forte nos artigos 100% algodão, com maior destaque para fios com fibras média a longa acima de Ne40 e telas/tecidos para vestuário e têxteis-lar que utilizem esses fios. Nos acabamentos ainda são muito precários e pouco competitivos”, explica.

A sustentabilidade foi outro dos temas em evidência na Bharat Tex. Segundo Jaime Lima, os fabricantes indianos já trabalham com certificações como OEKO-TEX, GOTS, OCS, GRS, RCS e Regenagri, além de referenciais sociais como BSCI, Fairtrade e Sedex, demonstrando uma evolução que acompanha as exigências dos mercados internacionais.

Apesar deste progresso, o responsável considera que o crescimento da Índia deverá acontecer de forma gradual. “A Índia tem um enorme potencial de crescimento, mas é preciso que seja explorado de forma gradual.”

A Jacoli participa regularmente em feiras internacionais para identificar novos fornecedores e acompanhar a evolução do mercado. A empresa trabalha na Índia desde 2012 e mantém atualmente uma rede de cerca de 30 parceiros locais para o desenvolvimento e fornecimento de fios, telas e tecidos destinados a clientes europeus.

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